Segurança

MPDFT manda CBMDF abrir inquérito sobre evento dos Legendários em centro de treinamento

Promotoria quer saber quem autorizou o uso do centro de treinamento e por que 18 militares foram escalados com cota de gratificação.

Neste texto5 tópicos
  1. O que os documentos analisados pelo MPDFT mostram
  2. Quais documentos foram requisitados
  3. O que o inquérito vai ter de responder
  4. O que diz o CBMDF
  5. Por que isso importa para o morador do DF

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios requisitou à Corregedoria do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal a instauração de inquérito policial militar para apurar o uso da estrutura da corporação em um evento privado. A requisição foi divulgada nesta segunda-feira.

O evento é o FIRE Experience 004, promovido pelo movimento Legendários e realizado em 26 de setembro no Centro de Treinamento Operacional do CBMDF. A investigação deverá esclarecer as condições de uso das instalações, a participação de militares e o eventual emprego de recursos públicos, segundo a nota publicada pelo MPDFT.

O que os documentos analisados pelo MPDFT mostram

A Promotoria diz ter examinado documentos ligados à realização do evento. Segundo o órgão, o plano de operação previa 18 militares escalados e 18 cotas de Gratificação de Serviço Voluntário, a GSV.

O número é o centro da apuração. Ele indica que militares da ativa foram acionados para trabalhar durante uma atividade que não é da corporação, com pagamento previsto em cota de gratificação. Quanto foi efetivamente pago não consta da nota do Ministério Público.

Lista com os cinco documentos que o MPDFT requisitou à Corregedoria do CBMDF
Os cinco pontos que a requisição do Ministério Público manda a Corregedoria apurarArte: DistritoNews

Quais documentos foram requisitados

A Promotoria não pediu apenas a abertura do inquérito. Ela requisitou também um conjunto de papéis que permite reconstituir o que aconteceu no CTO naquele sábado.

  • A autorização para utilização do espaço da corporação
  • As escalas de serviço montadas para o evento
  • Os pagamentos de Gratificação de Serviço Voluntário
  • As informações sobre viaturas, equipamentos e demais recursos empregados
  • Os registros de entrada e saída durante a atividade

Há ainda um pedido específico de preservação: o das imagens das câmeras de segurança. Em apuração desse tipo, a gravação costuma ser o que define quantas pessoas entraram, que veículos circularam e por quanto tempo a estrutura ficou ocupada. Câmera em unidade militar grava em ciclo e sobrescreve o material antigo, o que torna o pedido de preservação uma corrida contra o calendário.

O que o inquérito vai ter de responder

A apuração deverá verificar se o uso da estrutura e dos recursos públicos ocorreu de acordo com as normas aplicáveis. Também terá de apontar eventual responsabilidade dos agentes envolvidos.

Inquérito policial militar é procedimento de investigação. Ele não implica acusação formal contra ninguém e pode terminar em arquivamento. A conclusão cabe à Corregedoria do CBMDF, que agora precisa instaurar o feito e conduzir a apuração.

O que diz o CBMDF

O Corpo de Bombeiros não publicou manifestação sobre o caso na sala de imprensa do site oficial até a publicação desta reportagem. A corporação também não divulgou nota sobre a cessão do CTO para o evento nem sobre a escala dos 18 militares.

O movimento Legendários não tem posição registrada sobre a requisição do Ministério Público. O DistritoNews mantém o espaço aberto para manifestação das duas partes.

Por que isso importa para o morador do DF

O Centro de Treinamento Operacional é onde o CBMDF prepara a tropa que atende ocorrência no Distrito Federal. Estrutura, viatura, equipamento e hora de militar são custeados por orçamento público, e o uso deles fora da atividade-fim é o que o inquérito vai medir.

A corporação já esteve no radar do Ministério Público por outras frentes neste ano. Em uma delas, o MPDFT cobrou a integração dos sistemas do Samu e dos Bombeiros no DF, para reduzir o tempo de resposta em emergência. A tropa também foi alvo de ato administrativo em 2026, quando o governo local assinou a promoção de 652 militares da PMDF e do CBMDF.

O próximo passo é da Corregedoria do CBMDF, que precisa instaurar o inquérito e responder às requisições. Quem quiser acompanhar pode consultar a sala de imprensa do MPDFT, onde as requisições e os desdobramentos do caso são publicados.

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