Cidades

MPDFT cobra integração dos sistemas do Samu e dos Bombeiros no DF

Reunião apresentou plano de trabalho e cronograma para acabar com atendimento duplicado em ocorrências de urgência

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) reuniu na segunda-feira (27) representantes da Secretaria de Saúde, da Secretaria de Segurança Pública e do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) para acompanhar a integração do atendimento pré-hospitalar no DF. O encontro ocorreu na Procuradoria Distrital dos Direitos do Cidadão (PDDC).

Na reunião foram apresentados o plano de trabalho e o cronograma para implantação da interoperabilidade entre os sistemas usados pelas instituições. Hoje, Samu e Bombeiros operam plataformas próprias de registro e despacho, o que abre espaço para o mesmo chamado ser atendido duas vezes.

O que a interoperabilidade resolve

Segundo o MPDFT, a medida vai permitir maior integração das informações, redução de duplicidades no atendimento e aprimoramento da coordenação das ocorrências de urgência e emergência.

O ganho aparece em situações corriqueiras no DF. Um acidente na EPTG, por exemplo, costuma gerar mais de uma ligação: uma para o 192, do Samu, e outra para o 193, dos Bombeiros. Sem sistemas conversando, as duas centrais podem despachar equipes para o mesmo ponto enquanto outra ocorrência espera viatura.

A padronização também alcança a linguagem operacional. Cada corporação classifica a gravidade da ocorrência com critérios próprios, e a diferença de nomenclatura atrapalha a passagem do caso de uma equipe para outra e o repasse da informação à unidade de saúde que vai receber o paciente.

A padronização da linguagem operacional e dos protocolos de atendimento das instituições deverá trazer uma melhoria significativa na qualidade do atendimento da população, afirmou o procurador distrital dos Direitos do Cidadão, Eduardo Sabo.

Quem estava na mesa

Participaram do encontro o secretário de Segurança Pública, Alexandre Patury, o secretário de Saúde, Juracy Cavalcante Lacerda Júnior, e o comandante-geral do CBMDF, coronel Moisés Alves Barcelos. Pelo MPDFT, além de Sabo, estiveram presentes os promotores de Justiça de Defesa da Saúde Hiza Carpina e Marcelo Barenco.

O acompanhamento pelo Ministério Público significa que o cronograma apresentado passa a ser cobrado formalmente. A PDDC atua na fiscalização de políticas públicas e pode instaurar procedimentos para exigir o cumprimento de prazos assumidos pelos órgãos.

A duplicidade tem custo além do incômodo. Cada viatura despachada sai de uma base e deixa de cobrir a área pela qual responde enquanto está em deslocamento. Em uma cidade com as distâncias do DF, onde uma ambulância pode levar mais de vinte minutos entre uma região administrativa e outra, viatura ocupada à toa significa tempo-resposta maior em outra ocorrência.

O que muda para quem liga

Para o morador, o número a discar continua o mesmo. O 192 é do Samu, para emergências clínicas como infarto, derrame, crise convulsiva e mal súbito. O 193 é dos Bombeiros, para acidentes, incêndios, afogamentos e resgates com vítima presa em ferragens.

Na dúvida, qualquer um dos dois resolve, e a orientação das centrais é informar endereço com ponto de referência, número de vítimas, se há sangramento ou perda de consciência e se a vítima respira. Não desligue antes de o atendente encerrar a ligação: parte das orientações de primeiros socorros é passada durante a espera pela equipe.

As duas secretarias não divulgaram a data de conclusão da integração. O cronograma apresentado ao MPDFT não foi tornado público.

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