Nove agressões em 15 dias no DF reacendem debate sobre acolhimento
Levantamento reúne casos registrados entre 28 de julho e 12 de agosto no Plano Piloto, em Águas Claras e em Taguatinga; GDF diz que vai enfrentar o problema
Nove episódios de agressão ou roubo registrados no Distrito Federal entre 28 de julho e 12 de agosto foram atribuídos a pessoas em situação de rua, segundo levantamento do portal Metrópoles. Os casos ocorreram no Plano Piloto, em Águas Claras e em Taguatinga, e envolvem vítimas de 5 a 97 anos.
A lista reúne ocorrências de gravidade distinta. Em 28 de julho, um jovem de 18 anos levou um soco em Águas Claras. Em 3 de agosto, houve agressão com caco de vidro na Asa Sul. No dia 7, um zelador foi atacado a pauladas na Asa Norte. Em 9 de agosto, uma mulher teve os dedos quebrados durante assalto no Setor de Rádio e TV Norte, e um homem foi morto com 36 facadas em Taguatinga.
Na madrugada de 11 de agosto, um homem armado com faca rendeu uma funcionária e roubou a loja de conveniência de um posto na 314 Norte. No mesmo dia, na Asa Sul, um suspeito invadiu apartamentos e manteve uma idosa de 97 anos como refém. Em 12 de agosto, uma menina de 5 anos levou um chute na cabeça na 302 Sul.
O que o governo diz
A governadora Celina Leão (PP) afirmou que o governo vai enfrentar o problema de frente e destacou que o Hospital São Vicente de Paulo conta com dez leitos destinados a esse tipo de atendimento. A unidade é referência em saúde mental na rede pública do DF.
O acionamento nesses casos segue um fluxo integrado entre a Polícia Militar, a rede de assistência social e o Samu. A porta de entrada varia conforme a situação. Crime em andamento é atendido pelo 190. Pessoa em surto ou em risco de saúde aciona o 192. A abordagem social sem ocorrência policial cabe às equipes da Secretaria de Desenvolvimento Social.
Números que o caso não autoriza
A soma de nove ocorrências em 15 dias não permite concluir que houve aumento da criminalidade praticada por pessoas em situação de rua. O levantamento é jornalístico, reúne casos noticiados no período e não corresponde a uma série estatística oficial da Secretaria de Segurança Pública, que consolida os dados por natureza de crime e por região administrativa, sem recorte por condição de moradia do autor.
Todos os apontados nas ocorrências respondem como suspeitos até decisão judicial definitiva. Em pelo menos dois dos casos, houve prisão em flagrante e o suspeito passou por audiência de custódia.
A população em situação de rua também aparece com frequência do outro lado da estatística. Casos recentes no DF incluem a prisão de um suspeito de atear fogo em um morador de rua na 310 Sul.
Onde a rede de acolhimento atua
A rede pública do DF opera Centros Pop, unidades de acolhimento institucional e equipes de abordagem social que percorrem pontos de concentração. O atendimento inclui higiene, alimentação, documentação e encaminhamento para vagas de acolhimento. Quando há uso abusivo de álcool ou outras drogas, o encaminhamento passa pela rede de saúde mental.
- 190: Polícia Militar, para crime em andamento
- 192: Samu, para pessoa ferida ou em surto
- 197: denúncia anônima à Polícia Civil
- 162: Ouvidoria do GDF, para acionar a abordagem social
A capacidade de acolhimento é o gargalo apontado por quem trabalha na ponta. Vaga em unidade de acolhimento e leito de saúde mental são recursos limitados, e a recusa do atendimento por parte da pessoa abordada não pode ser contornada por internação compulsória sem indicação médica e ordem judicial.
Ações pontuais de acolhimento seguem programadas para as próximas semanas no Plano Piloto, com oferta de serviços de saúde, emissão de documentos e cadastramento em programas sociais.