Segurança

PCDF prende dois homens e apreende 165 kg de cocaína no Recanto das Emas

Operação Acompanhamento Final fechou mais de seis meses de investigação sobre carga que saiu de Cuiabá rumo ao DF

Neste texto3 tópicos
  1. Como a carga foi rastreada
  2. O destino da carga em Samambaia
  3. Próximos passos

A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu em flagrante dois homens em 1º de outubro no Recanto das Emas, ao fim da Operação Acompanhamento Final, que apreendeu mais de 165 kg de cocaína e cerca de 15 kg de skunk avaliados em R$ 4 milhões.

A ação foi conduzida pela 32ª Delegacia de Polícia, de Samambaia Sul, e fechou mais de seis meses de investigação sobre uma rota que trazia droga de Cuiabá, em Mato Grosso, até o Distrito Federal.

Como a carga foi rastreada

Segundo a apuração do Correio Braziliense e da PCDF, a carga saiu de Cuiabá dentro de um caminhão e foi acompanhada por investigadores da 32ª DP até o momento da entrega no Recanto das Emas. O motorista do veículo e o destinatário da droga foram presos em flagrante no local.

Parte da cocaína apreendida trazia a marca "golfinho", associada pelos investigadores ao traficante argentino conhecido como "Patrón del Norte", além de adesivos estampados com as bandeiras do Brasil, da Bolívia e da Colômbia, indício de uma rota internacional.

Além da droga, os policiais apreenderam o caminhão usado no transporte, dois veículos de passeio que davam apoio à distribuição e uma espingarda calibre 20 com numeração raspada.

O destino da carga em Samambaia

De acordo com a PCDF, o carregamento tinha como destino final um imóvel desmobiliado em Samambaia, usado apenas como depósito e mantido sob vigilância constante de integrantes da organização.

"O imóvel funcionaria só como depósito, com vigilância constante dos integrantes da organização", afirmou o delegado-chefe da 32ª DP, Alexandre Gratão.

A corporação também destacou a sofisticação do esquema identificado durante a investigação.

"O esquema utilizava métodos sofisticados para dissimular os carregamentos rodoviários e ocultar o patrimônio obtido", informou a PCDF.

Os dois suspeitos presos em flagrante respondem por tráfico interestadual de drogas, integração de organização criminosa, posse de arma de fogo com numeração suprimida e lavagem de capitais. Somadas, as penas previstas para os crimes podem superar 30 anos de reclusão.

A combinação dos quatro crimes mostra, segundo a PCDF, uma estrutura que ia além do transporte da droga: a posse de arma com numeração raspada dificulta rastrear a origem do armamento usado para proteger a carga, enquanto a investigação por lavagem de capitais mira o dinheiro movimentado pela organização para disfarçar o lucro do tráfico em bens e patrimônio.

A marcação "golfinho" encontrada em parte da cocaína e os adesivos com as bandeiras do Brasil, da Bolívia e da Colômbia reforçam, para os investigadores, a hipótese de que a carga vinha de uma rota que cruza mais de um país antes de chegar ao território brasileiro, com Mato Grosso funcionando como ponto de passagem até o Distrito Federal.

A Operação Acompanhamento Final reforça o trabalho recente da PCDF contra o crime organizado no Distrito Federal. Em setembro, a corporação já havia recebido R$ 12 milhões confiscados de operações de lavagem de dinheiro para acelerar a perícia digital, e também havia bloqueado valores milionários em um caso de agiotagem armada.

Dias antes, uma equipe da PCDF já tinha bloqueado R$ 6 milhões de um grupo que cobrava juros de 20% em Planaltina, outro indício do avanço das investigações patrimoniais da corporação sobre organizações criminosas que atuam no DF.

Próximos passos

Os dois suspeitos foram autuados em flagrante e permanecem à disposição da Justiça. O inquérito segue em andamento na 32ª Delegacia de Polícia, que deve ouvir testemunhas e aprofundar a apuração sobre a origem dos recursos usados pelo grupo antes de enviar o caso ao Ministério Público.

A PCDF não informou se outros suspeitos ligados à rota entre Cuiabá e o Distrito Federal seguem sendo investigados.

A Operação Acompanhamento Final se soma a uma sequência de ações da 32ª Delegacia de Polícia contra o tráfico interestadual que usa rodovias federais para abastecer o Distrito Federal. O perfil de investigação, com meses de monitoramento até a entrega final da carga, é o mesmo adotado em outras operações recentes da PCDF contra organizações que miram tanto a droga quanto o patrimônio acumulado com o crime.

Para a população do Recanto das Emas e de Samambaia, a apreensão reforça o alerta da PCDF sobre o uso de imóveis desmobiliados nas regiões administrativas como pontos de armazenamento de droga, uma prática que a corporação tem monitorado em outras áreas do Distrito Federal.

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