Seguranca

PF indicia donos de igrejas do DF por desvio milionário na farra do INSS

Dogival José dos Santos, de Ceilândia, e Lucineide dos Santos Oliveira, do Recanto das Emas, dirigiam a AAB, associação investigada pelos descontos ilegais em aposentadorias

Dois fundadores de igrejas evangélicas do Distrito Federal foram indiciados pela Polícia Federal no dia 14 de julho por envolvimento na farra do INSS, o esquema nacional de descontos ilegais em aposentadorias e pensões. A investigação soma 48 indiciados.

Os dois comandavam a Associação dos Aposentados do Brasil (AAB), uma das entidades que descontavam mensalidades associativas diretamente da folha de beneficiários. Dogival José dos Santos, presidente da associação, fundou em 1996 a Crusada Nacional de Evangelismo, registrada como Primeira Igreja Pentecostal Cristo a Esperança, em Ceilândia. Lucineide dos Santos Oliveira, tesoureira da AAB, preside a Igreja Evangélica Pentecostal Ministério Visão de Deus, no Recanto das Emas. O indiciamento foi revelado pelo Metrópoles nesta sexta-feira (17).

Suspeitas e valores

A lista de crimes atribuída pela PF aos dois inclui:

Corrupção ativa e passiva, inserção de dados falsos em sistemas, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

A corporação estima que as irregularidades investigadas no caso podem ter causado prejuízo de cerca de R$ 6 bilhões aos beneficiários do INSS em todo o país.

Segundo o Metrópoles, Lucineide movimentou R$ 160,9 milhões entre 2019 e 2025. Desse total, R$ 113 milhões teriam vindo da Conafer, confederação de agricultores familiares que também é investigada. Chamados a depor, Dogival e Lucineide ficaram em silêncio.

Núcleo familiar

A CPMI do INSS já havia pedido o indiciamento do grupo em março. Para a comissão, Dogival comandava um núcleo do esquema formado pela própria família: o filho, Dogival José dos Santos Júnior, e o cunhado, Samuel Chrisóstomo, contador da Conafer, teriam usado empresas de fachada para lavar o dinheiro desviado.

O indiciamento é ato formal de suspeita e não equivale a condenação. O inquérito segue para o Ministério Público Federal, que decide se denuncia os investigados à Justiça.

O que o aposentado do DF pode fazer

  • Conferir no extrato do benefício, pelo aplicativo Meu INSS ou pela Central 135, se há desconto de mensalidade associativa não autorizada;
  • Contestar cobranças indevidas nos mesmos canais, sem custo;
  • Acompanhar o ressarcimento dos valores descontados, que o governo organizou após o escândalo, tema que o portal detalhou quando o INSS encerrou o prazo de contestação em junho.

O escândalo dos descontos segue rendendo desdobramentos em Brasília. No Supremo Tribunal Federal, outra disputa que mexe com o bolso de quem recebe benefício já tem maioria formada contra o desconto de 14% sobre aposentadorias.

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