Seguranca

PM da Bahia é preso no DF por extorquir empresário de Brazlândia

PCDF aponta empréstimo de R$ 80 mil com juros de 10% ao mês e ameaça de morte à família da vítima

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) prendeu na sexta-feira (31) dois homens investigados por extorsão, usura, lavagem de dinheiro e associação criminosa contra um empresário de Brazlândia. Um dos presos é policial militar da Polícia Militar da Bahia (PMBA).

As prisões preventivas foram deferidas pela Justiça e cumpridas pela Divisão de Repressão a Sequestros (DRS), da Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Corpatri). Segundo a corporação, um dos investigados financiava os empréstimos e o outro, o policial militar, ficava com a cobrança e as ameaças.

A dívida que virou extorsão

De acordo com a apuração, a vítima contraiu em agosto de 2025 um empréstimo de R$ 80 mil com cobrança de 10% ao mês em juros, patamar muito acima do limite legal, e entregou um cartão bancário como garantia da dívida.

Parte do valor foi quitada em janeiro de 2026 por meio de operações simuladas em uma máquina de cartão vinculada a uma distribuidora de bebidas, além de transferência por Pix. É esse desenho, segundo a PCDF, que sustenta a imputação de lavagem de dinheiro: o dinheiro da agiotagem entrava na contabilidade como se fosse venda.

Em 4 de julho deste ano, o investigado apontado como cobrador foi até a casa de familiares da vítima, em Brazlândia. Conforme o registro policial, ele estava armado e ameaçou a vida do devedor, afirmando que a quantia era devida a um grupo de pessoas. O suspeito deixou o local antes da chegada da Polícia Militar e foi identificado depois, por diligências e trabalho de inteligência da DRS.

O que acontece agora

A PCDF informou que comunicará o caso à Polícia Militar da Bahia para a adoção das medidas cabíveis na esfera administrativa e disciplinar. A investigação continua para localizar outras possíveis vítimas do mesmo esquema, linha usual em casos de agiotagem, em que o devedor evita procurar a polícia por medo de represália.

A reportagem não localizou representação de defesa constituída para os presos até a publicação. A PMBA não havia se manifestado sobre o caso.

Os crimes imputados têm penas cumulativas. A extorsão prevê reclusão de quatro a dez anos e multa. A usura, cobrança de juros acima do permitido, é enquadrada na Lei de Crimes contra a Economia Popular. A lavagem de dinheiro tem pena de três a dez anos, e a associação criminosa, de um a três anos.

O caso se soma à série de operações da PCDF contra crimes patrimoniais no DF neste semestre, entre elas a apuração de fraudes bancárias e de esquemas de empréstimo irregular que usam empresas de fachada para movimentar valores.

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