Amazônia tem em 2025 o menor desmatamento em 41 anos: 693 mil hectares, diz MapBiomas
693 mil hectares perdidos em 2025 é o menor valor desde 1985. Veja o que a Coleção 11 mostra sobre pastagem, estradas e áreas protegidas.
Neste texto4 tópicos
A Amazônia perdeu 693 mil hectares de vegetação nativa em 2025, o menor desmatamento anual desde 1985, início da série do MapBiomas. O número integra a Coleção 11 do MapBiomas, divulgada nesta quarta-feira, 14, e repercutida pela Agência Brasil.
Do total, 639 mil hectares, ou 92%, estavam em vegetação primária, que nunca tinha sido tocada. Os outros 54 mil hectares eram vegetação secundária, que se regenera depois de uma intervenção anterior.
Quanto a Amazônia já perdeu desde 1985?
A queda do ano não apaga o acumulado. Entre 1985 e 2025, o bioma perdeu 54,7 milhões de hectares de vegetação nativa. A área convertida para uso humano soma 74,6 milhões de hectares, e 83% dela foi aberta nos últimos 40 anos.
- Formação florestal: perdeu cerca de 49,7 milhões de hectares (14,8% do que existia).
- Pastagem: cresceu 556% no período e ocupa 50,8 milhões de hectares, 12% do bioma.
- Agricultura: passou de 161 mil hectares em 1985 para 8,6 milhões em 2025. A soja foi de 1,4 mil para 7 milhões de hectares.
- Mineração: de 32 mil para 440 mil hectares, quase 14 vezes mais.
- Vegetação secundária: 7,3 milhões de hectares, com avanço médio de 180 mil por ano.
Somadas, pastagem e agricultura ocupam 65,3 milhões de hectares, 15,5% da Amazônia. Em média, 77% das áreas desmatadas tiveram a pastagem como primeiro uso registrado depois da perda da mata.
O MapBiomas mede cobertura e uso da terra por mapas anuais. O método é diferente do Deter e do Prodes, do Inpe, que acompanham alertas e taxas oficiais. Por isso os números não são comparáveis diretamente. A queda de 36,87% no Deter, divulgada em agosto, parte de outra base.

O que o estudo diz sobre estradas e áreas protegidas?
A Coleção 11 cruzou os mapas com as bases de estradas do Dnit e do OpenStreetMap. O bioma tem 618 mil quilômetros de vias, contando as que não fazem parte da malha oficial. Até 5 quilômetros das estradas, a agropecuária ocupa 40,2% da área, cerca de 63 milhões de hectares. A 20 quilômetros, o índice cai para 26,7%.
No entorno das áreas protegidas, a agropecuária cresceu 561% desde 1985 e ocupa 31% da faixa. Dentro delas, a vegetação nativa ainda cobre 98%. Nas Terras Indígenas, o índice é de 98,9%.
“A expansão das estradas não representa apenas a abertura de novos caminhos de circulação. Ela também amplia o acesso a áreas antes mais isoladas”, explica Bruno Ferreira, pesquisador do MapBiomas, em nota da organização.
Como a situação varia entre as rodovias e os estados?
| Recorte | Dado da Coleção 11 |
|---|---|
| BR-163 (raio de 20 km) | 39% de agropecuária |
| BR-364 (raio de 20 km) | 43,5% de agropecuária |
| BR-319 (raio de 20 km) | 86% de vegetação nativa |
| Amapá (parte na Amazônia) | 95,5% de vegetação nativa |
| Tocantins (parte na Amazônia) | 24,6% de vegetação nativa |
| Amacro (AM, AC e RO) | 7 milhões de hectares perdidos desde 1985 (16%) |
No Amacro, região que reúne municípios do Amazonas, Acre e Rondônia, a maior perda ocorreu na última década: 2,7 milhões de hectares entre 2015 e 2025. Nas áreas úmidas, os dez anos com menor extensão da série estão todos entre os últimos dez.
O que isso tem a ver com Brasília?
A mesma coleção mapeou o Cerrado, bioma do Distrito Federal. O DistritoNews detalhou que o Cerrado perdeu 13,9 milhões de hectares nas margens de rios. Os dados da Amazônia e do Cerrado saem do mesmo levantamento e permitem comparar a pressão sobre cada bioma.
Os dados do MapBiomas são abertos e podem ser consultados na plataforma da organização, que também publica o relatório completo da Amazônia.