Brasil

Lula e Erdogan acertam conselho estratégico entre Brasil e Turquia

Mecanismo em nível vice-presidencial vai tratar de defesa, comércio e investimento; ministros brasileiros viajam a Ancara

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, acertaram em telefonema a criação de um Conselho Estratégico entre os dois países, em nível vice-presidencial, para aprofundar a relação bilateral. A conversa ocorreu em 24 de agosto.

O novo mecanismo deve tratar de defesa, indústria de defesa, investimentos, comércio e parcerias entre empresas brasileiras e turcas. Os dois governos combinaram o envio de uma delegação brasileira à Turquia para dar sequência ao entendimento.

Quem vai à Turquia

A missão será chefiada pelo ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, e pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. A data da viagem não foi divulgada.

Durante o telefonema, Lula afirmou que o Brasil pretende ampliar investimentos na área de defesa. Os dois presidentes celebraram a ratificação recente, pelos parlamentos do Brasil e da Turquia, do Acordo de Cooperação em Indústria de Defesa, instrumento que abre caminho para projetos conjuntos e transferência de tecnologia no setor.

Guerra e clima na conversa

Lula e Erdogan também enfatizaram a importância de intensificar o diálogo para encontrar caminhos de paz, segundo o relato divulgado pelo governo brasileiro.

Erdogan aproveitou a ligação para convidar Lula à COP31, conferência do clima da Organização das Nações Unidas que será realizada em Antália, na Turquia, em novembro de 2026. O presidente brasileiro agradeceu e aceitou o convite.

A conferência turca sucede a COP30, sediada em Belém, no Pará, em novembro de 2025. A presença brasileira em Antália mantém o país no centro das negociações climáticas em dois ciclos consecutivos.

O que é a COP31

A Conferência das Partes é a reunião anual dos países que assinaram a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. É nela que se negociam metas de corte de emissão, financiamento climático e regras de implementação do Acordo de Paris.

A edição de 2026 será a 31ª, em Antália, no sul da Turquia. A anterior, a COP30, foi realizada em Belém, no Pará, em novembro de 2025, e colocou o Brasil na condição de anfitrião das negociações climáticas.

O que está em jogo na relação

A aproximação combina três frentes que já vinham em movimento: a indústria de defesa, com o acordo agora ratificado pelos dois parlamentos; o comércio, citado pelos dois presidentes como área de parceria entre empresas; e a articulação diplomática em conflitos internacionais, tema que apareceu na conversa sob a fórmula de intensificar o diálogo em busca de caminhos para a paz.

Acordos de cooperação em indústria de defesa costumam abrir três possibilidades concretas: compra e venda de equipamento entre os países, produção conjunta com participação das indústrias locais e transferência de tecnologia. Qual delas sai do papel depende dos projetos que a delegação brasileira levar a Ancara.

Ao fixar o conselho em nível vice-presidencial, os dois governos colocam a coordenação um degrau acima das rodadas técnicas entre ministérios, formato que costuma encurtar o tempo de decisão sobre projetos conjuntos.

O Congresso brasileiro tem tratado de outras pautas de política externa neste ano, entre elas a situação do país em organismos multilaterais. Veja o que a Comissão de Relações Exteriores do Senado aprovou sobre o direito de voto do Brasil no BIE.

Não há, até o momento, calendário divulgado para a instalação formal do Conselho Estratégico nem para a viagem dos ministros brasileiros a Ancara.

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