Politica

Senado firma parceria e lança campanha contra a violência às mulheres

Acordo com o Movimento Pela Vida das Mulheres mira elevar de 29% para 73% o índice de conscientização até 2035

O Senado Federal assinou nesta terça-feira, 25 de agosto de 2026, parceria com o Movimento Pela Vida das Mulheres, iniciativa criada durante a campanha Agosto Lilás que reúne empresas, organizações da sociedade civil e órgãos públicos. O ato marcou o lançamento da campanha "Somos Maiores que a Violência Contra as Mulheres".

A parceria tem uma meta declarada e mensurável. O Índice de Conscientização sobre Violência Contra as Mulheres ficou em 29% em 2025, e o objetivo do movimento é chegar a 73% até 2035. O indicador mede quanto a população reconhece como violência os comportamentos que a lei já tipifica.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, participou da assinatura. "O Senado Federal tem responsabilidade permanente nesse caminho, não apenas na construção das leis, mas também na produção de dados, na disseminação de informação e na mobilização da sociedade", afirmou.

Os números que sustentam a campanha

O acordo prevê o uso do Mapa Nacional da Violência de Gênero, produzido pelo DataSenado em conjunto com o Observatório da Mulher contra a Violência. O levantamento é a base estatística do trabalho e explica a distância entre o que acontece e o que é reconhecido como crime.

Entre as mulheres entrevistadas, 33% relataram ter sofrido algum tipo de violência. Desse grupo, apenas 4% identificaram o ato como violência. Outro dado do levantamento desloca a discussão do ambiente privado: 71% das agressões tiveram testemunhas.

O Brasil registrou 1.568 feminicídios em 2025, média superior a quatro mulheres mortas por dia.

  • Índice de conscientização em 2025: 29%
  • Meta até 2035: 73%
  • Mulheres que relataram ter sofrido violência: 33%
  • Que reconheceram o ato como violência: 4%
  • Agressões com testemunhas: 71%
  • Feminicídios em 2025: 1.568

Vinte anos da Lei Maria da Penha

A parceria chega no ano em que a Lei Maria da Penha completa duas décadas. Sancionada em 2006, a norma criou as medidas protetivas de urgência, os juizados de violência doméstica e familiar e o afastamento do agressor do lar, instrumentos que hoje estruturam o atendimento em todo o país.

O dado dos 4% ajuda a entender por que a lei, sozinha, não resolve. Boa parte das mulheres que sofrem violência psicológica, patrimonial ou moral não classifica o que viveu como crime, e por isso não aciona nenhum dos mecanismos disponíveis. É esse intervalo que a campanha pretende reduzir.

No Distrito Federal, a rede de atendimento inclui as Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher (Deams), a Casa da Mulher Brasileira, no Riacho Fundo, e o Centro Especializado de Atendimento à Mulher. O Ligue 180 recebe denúncias de qualquer lugar do país, 24 horas por dia, e o 190 atende situações de emergência.

Brasília concentra tanto a produção legislativa quanto os dados. O DataSenado funciona no Senado, e o Observatório da Mulher contra a Violência é vinculado à Casa. As decisões tomadas nesses dois órgãos alimentam políticas públicas aplicadas nos 26 estados.

A agenda legislativa sobre o tema segue ativa nas duas Casas. Em agosto, a Câmara dos Deputados analisou proposta que amplia a punição para ataques digitais contra mulheres na política, incluindo o uso de deepfake.

O Senado não informou prazo de vigência do acordo nem valores envolvidos na campanha.

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