Irã ameaça fechar mais rotas e EUA lançam quinta noite de ataques
Guarda Revolucionária fala em bloquear corredores de petróleo de aliados de Washington; Ormuz segue fechado e tráfego de navios despenca
A Guarda Revolucionária do Irã ameaçou fechar todos os corredores de exportação de petróleo que beneficiam os Estados Unidos e seus aliados, em resposta ao bloqueio naval americano aos portos iranianos. Os EUA lançaram na quarta-feira (15) a quinta noite seguida de ataques contra alvos militares do país, segundo a Agência Brasil.
A escalada começou no fim de semana, com o colapso da trégua costurada em junho. O Irã voltou a declarar fechado o Estreito de Ormuz, passagem que antes da guerra concentrava cerca de 20% dos embarques mundiais de petróleo e gás natural liquefeito, e os americanos responderam com bombardeios em série e o retorno do bloqueio naval.
"As exportações regionais de energia são compartilhadas com todos ou negadas para todos", afirmou a Guarda Revolucionária em comunicado, acrescentando que o estreito permanecerá fechado até "o fim dos males da América".
Cinco noites de bombardeio e 19 navios de guerra
Na noite de terça-feira (14), uma onda de ataques de sete horas atingiu dezenas de alvos militares perto do Estreito de Ormuz e em regiões costeiras iranianas. Washington anunciou que haverá novas ondas para "continuar a degradar as capacidades" militares de Teerã.
A concentração militar na região impressiona:
- Pelo menos 19 navios de guerra americanos operam no Mar Arábico, incluindo dois porta-aviões;
- O petróleo Brent ultrapassou US$ 87 na terça-feira (14) e recuou a US$ 78 após aceno de negociação; no auge da guerra, beirou US$ 120;
- Apenas três navios de carga cruzaram Ormuz na quinta-feira (16), o menor número diário em dois meses;
- Embarcações têm desligado os transponders de rastreamento e recorrido a transferências de carga entre navios no Golfo de Omã.
Negociação travada
O acordo provisório assinado em junho previa passagem livre pelo estreito por 60 dias, mas ruiu depois que o presidente americano Donald Trump declarou encerrado o cessar-fogo. Trump ameaçou destruir centrais elétricas e pontes iranianas caso Teerã não volte à mesa; negociadores dos dois lados mantêm contato, com o Paquistão atuando como mediador.
O Comando Central dos EUA sustenta que "o Irã não controla o estreito" e que o tráfego comercial está liberado. Os números do transporte marítimo, porém, mostram cautela dos armadores, e a corretora Gibson alertou que os estoques globais em queda são receita para oferta apertada e preços mais altos.
Efeito no bolso do brasiliense
Cada dia de Ormuz fechado pressiona a cotação internacional do petróleo, que se transmite ao preço do diesel e da gasolina no Brasil. O diesel encarece o frete de alimentos e mercadorias que chegam ao DF por rodovia, e o governo federal mantém subsídio bilionário para segurar o combustível até dezembro. Entenda como o choque do petróleo em Ormuz afeta o diesel e a inflação no Brasil.
Enquanto a diplomacia patina, o mercado observa dois termômetros: o número de navios que cruzam o estreito a cada dia e o comportamento do Brent. Qualquer sinal de reabertura tende a derrubar a cotação; uma nova rodada de ataques pode levá-la de volta à casa dos US$ 100.