Irã promete resistir a novas sanções dos EUA sobre o comércio de petróleo
Tesouro americano atingiu 60 pessoas, entidades e embarcações; Paquistão media as conversas
O Irã prometeu resistir à ampliação das sanções dos Estados Unidos e afirmou que Washington busca retomar as negociações, um dia depois de o Tesouro americano anunciar medidas contra 60 pessoas, entidades e embarcações ligadas ao comércio de petróleo iraniano. O anúncio foi feito na segunda-feira (24) pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, segundo a agência Reuters.
As medidas evitaram as sanções mais severas que estavam à disposição do governo americano. Bessent afirmou que países que continuarem a negociar com o Irã correm o risco de ser excluídos do sistema financeiro baseado no dólar, mas não estabeleceu prazo nem identificou quais nações poderiam ser alvo, dizendo que daria tempo para o cumprimento da nova diretriz.
"Ninguém está acima do alcance das sanções dos EUA", disse o secretário do Tesouro, Scott Bessent.
A leitura de Teerã
O governo iraniano respondeu com a avaliação de que a pressão tem finalidade política, e não econômica. Para o Parlamento do país, o pacote anunciado serve para reabrir uma mesa de negociação que está parada.
"Ao que parece, o objetivo principal era retomar o processo político paralisado", afirmou Abbas Golroo, chefe da Comissão de Relações Exteriores do Parlamento iraniano.
Teerã expressou confiança de que seus principais parceiros comerciais vão resistir à campanha de pressão americana. A aposta iraniana é que os compradores de petróleo mantenham as operações apesar do risco de sanção secundária.
O Paquistão na mediação
Um terceiro país entrou no circuito. O Paquistão vem atuando como mediador entre Washington e Teerã e registrou o que classificou como progressos nas conversas recentes.
"Tivemos uma troca de ideias muito construtiva", disse Mohsin Naqvi, ministro do Interior do Paquistão.
Segundo Golroo, o chefe do Exército paquistanês, Asim Munir, entregou uma mensagem dos Estados Unidos ao Irã na segunda-feira, no mesmo dia do anúncio das sanções.
O quadro se desenha quase seis meses depois do início do conflito entre Estados Unidos e Israel, de um lado, e Irã, de outro. Um acordo provisório assinado em junho fracassou pouco depois de firmado, e desde então as partes não retomaram um canal formal de negociação.
Por que interessa a Brasília
A escalada sancionatória sobre o petróleo iraniano mexe com a oferta global da commodity, e o preço internacional do barril é uma das variáveis que a Petrobras observa na política de preços de combustíveis no mercado interno. Alterações nesse patamar chegam ao consumidor brasileiro na bomba, com defasagem.
Há ainda o componente diplomático. O Brasil e o Irã mantêm relações comerciais, com destaque para a exportação de proteína animal e de milho, e o endurecimento das sanções secundárias americanas amplia o risco jurídico para empresas que operam nesse comércio.
O DistritoNews acompanha o conflito desde o início e mostrou quando o Irã ameaçou rotas comerciais após ataques dos Estados Unidos.