Brasil

PF mira lavagem de R$ 1 bilhão em bets e bloqueia R$ 1,1 bilhão

Operação Arena cumpre 17 mandados em cinco estados e investiga grupo empresarial que usava estrutura na Costa Rica e em Curaçao

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (13/8) a Operação Arena, que apura evasão de divisas e lavagem de dinheiro por meio de casas de apostas esportivas. Foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão em cinco estados, e a Justiça autorizou o sequestro de até R$ 1,1 bilhão dos investigados.

Os mandados foram executados na Paraíba, em João Pessoa, Campina Grande e Serra Branca, além de Aracaju (SE), São Paulo (SP), Rio de Janeiro e Niterói (RJ) e Curitiba (PR). A investigação estima em cerca de R$ 1 bilhão o volume envolvido nos crimes apurados.

Segundo a PF, o alvo é um grupo empresarial suspeito de lavar recursos originados da exploração de bets. A apuração já levou à quebra dos sigilos telemático e bancário dos investigados.

Como o esquema operava

De acordo com a corporação, o grupo montou estrutura societária e financeira no exterior, com empresas registradas na Costa Rica e em Curaçao. A partir dessa base, os recursos circulavam por companhias nacionais e estrangeiras, instituições de pagamento, operações de câmbio e ativos digitais, camada que dificultava rastrear a origem do dinheiro.

Os investigados podem responder por evasão de divisas, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro nacional. A apuração também aponta planejamento tributário abusivo e sonegação de tributos.

A operação foi conduzida em conjunto pela Polícia Federal, pelo Ministério Público Federal, pela Receita Federal, que mobilizou 40 auditores e analistas, e pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, órgão sediado em Brasília e responsável pela regulação do setor no país.

O que dizem os investigados

Entre os alvos citados está o advogado Nelson Wilians. Em nota, a defesa afirmou que a relação dele com a casa de apostas PixBet é estritamente profissional e decorre da prestação de serviços de advocacia.

Não há, até esta publicação, manifestação pública dos demais investigados. Buscas e apreensões são medidas de investigação e não implicam condenação.

Por que o caso importa

O mercado regulado de apostas entrou em operação com regras de autorização, recolhimento de tributos e obrigações de prevenção à lavagem de dinheiro. É esse conjunto que a Secretaria de Prêmios e Apostas fiscaliza, e é dele que dependem tanto a arrecadação quanto o controle sobre o dinheiro que entra e sai das plataformas.

Quando a movimentação passa por empresas em jurisdições com baixa exigência de transparência, como as citadas na investigação, o rastro se perde antes de chegar ao regulador. Daí o tamanho do bloqueio autorizado pela Justiça: o valor busca garantir que haja patrimônio disponível caso a Justiça determine a devolução dos recursos ao final do processo.

O setor é hoje um dos que mais concentram atenção regulatória em Brasília, com discussões simultâneas sobre publicidade, limites de aposta e uso de meios de pagamento instantâneos.

O que significa o sequestro de R$ 1,1 bilhão

A autorização judicial não transfere o dinheiro para os cofres públicos. O sequestro é medida cautelar: bloqueia bens e valores para impedir que sejam dissipados enquanto a investigação corre. Só ao fim do processo, se houver condenação, é que a Justiça decide sobre perdimento em favor da União ou devolução ao titular.

O valor autorizado supera a estimativa de R$ 1 bilhão movimentado no esquema porque a constrição costuma alcançar contas, imóveis, veículos e participações societárias que somam mais do que o montante apurado, exatamente para cobrir eventual variação patrimonial ao longo do processo.

A presença da Receita Federal com 40 servidores indica o outro eixo da apuração. Além do crime financeiro, o grupo é investigado por reduzir tributo devido com estrutura artificial, o que abre frente administrativa paralela: autuação fiscal com multa qualificada, que independe do desfecho criminal.

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