Brasil

Receita e MPF miram bet que movimentou R$ 5 bilhões em um ano

Operação Jogo de Sombras cumpriu seis mandados em João Pessoa, Recife e São Paulo e apura sonegação, evasão de divisas e lavagem de dinheiro

A Receita Federal e o Ministério Público Federal (MPF) deflagraram em 28 de agosto a Operação Jogo de Sombras, que apura sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro na exploração de apostas de quota fixa. O grupo empresarial investigado teria movimentado mais de R$ 5 bilhões apenas em 2025.

Por determinação judicial, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão nos municípios de João Pessoa (PB), Recife (PE) e São Paulo (SP). A ação foi conduzida em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPF.

Segundo a Receita, as supostas irregularidades tributárias e financeiras teriam ocorrido tanto antes quanto depois da regulamentação do setor de apostas de quota fixa no Brasil. O órgão não identificou o grupo empresarial nem a plataforma na comunicação oficial da operação.

Os três crimes apurados descrevem etapas diferentes de um mesmo circuito. A sonegação fiscal é o não recolhimento de tributo devido, com omissão ou falsificação de informação ao Fisco. A evasão de divisas é a saída de recursos do país fora dos canais legais, sem registro no Banco Central. A lavagem de dinheiro é a operação que dá aparência lícita a valores de origem ilegal, em geral por meio de empresas e contas interpostas.

Quem participou da apuração

A coletiva de imprensa sobre a operação reuniu o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, o subprocurador-geral da República e coordenador do Gaeco Nacional, José Adonis Callou de Araújo Sá, e o procurador regional da República e coordenador-adjunto do Gaeco Nacional, Fábio George Cruz da Nóbrega.

Também participaram a coordenadora-geral de Fiscalização da Receita Federal, Vandreia Mota Rocha, e o coordenador-geral de Pesquisa e Investigação do órgão, Sérgio Luiz Messias de Lima.

A investigação aponta que as apurações tributárias alcançam período anterior à entrada em vigor das regras do setor, quando plataformas operavam no país sem autorização formal, e também o período posterior, já sob o novo marco regulatório.

O setor sob fiscalização

A operação entra em uma sequência de ações de órgãos federais sobre o mercado de apostas ao longo de 2026. Em agosto, a Polícia Federal bloqueou R$ 1,1 bilhão na Operação Arena, que investigou lavagem de dinheiro ligada a casas de apostas, com 17 mandados cumpridos.

No mesmo período, a Secretaria de Prêmios e Apostas da Fazenda suspendeu sites que descumpriam regras do setor, e o cruzamento de dados do Sigap levou ao bloqueio de mais de 3 milhões de beneficiários de programas sociais em plataformas de apostas.

O alcance do mercado sobre a renda das famílias é o pano de fundo dessas ações. Levantamentos apresentados a comissões do Congresso ao longo do ano mostram o avanço das apostas entre estudantes e mulheres, e o Distrito Federal registra procura por atendimento no SUS de apostadores endividados, em unidades como os Centros de Atenção Psicossocial.

Para o contribuinte, o ponto central da apuração é tributário. Se confirmada a estrutura descrita pela Receita, o imposto que deixou de ser recolhido na operação da plataforma sai da arrecadação federal, que financia saúde, educação e segurança em todos os estados.

Não houve divulgação de prisões na operação. As investigações seguem em curso, sob acompanhamento do Gaeco.

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