Brasil

PF mira venda de diplomas falsos para entrada em cursos de Medicina

Operação Canudo cumpriu mandados em Minas Gerais e na Bahia; ao menos 45 pessoas já registradas como médicas teriam pago pelo esquema

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (12/8) a Operação Canudo, voltada a um esquema de venda de diplomas falsos e de falsificação de documentos usados para entrar em faculdades de Medicina. A ação cumpriu mandados em Montes Claros e Bocaiúva, no Norte de Minas Gerais, e em Barreiras e Luís Eduardo Magalhães, na Bahia.

Foram quatro mandados de busca e apreensão, dois de prisão preventiva e um de prisão temporária, todos autorizados pela Justiça. Três suspeitos foram presos.

Como o esquema funcionava

Segundo a PF, os investigadores identificaram indícios de uma estrutura montada para falsificar e comercializar diplomas, históricos escolares e outros documentos acadêmicos. O material era usado de duas formas distintas.

Na primeira, os diplomas falsos eram apresentados a Conselhos Regionais de Medicina na tentativa de obter o registro profissional, o documento que autoriza alguém a exercer a medicina. Na segunda, documentos falsificados de ensino superior serviam para permitir o ingresso ou a transferência de estudantes para cursos de Medicina já em andamento.

Ao menos 45 pessoas que já constavam como médicas registradas em Conselhos Regionais teriam pago ao grupo para obter os documentos que viabilizaram o registro, de acordo com a apuração.

  • 4 mandados de busca e apreensão
  • 2 prisões preventivas e 1 prisão temporária
  • 3 presos na operação
  • 4 cidades alvo: Montes Claros e Bocaiúva (MG), Barreiras e Luís Eduardo Magalhães (BA)
  • 45 pessoas registradas como médicas sob investigação

De onde veio a investigação

O caso começou em 2023, com a apreensão de um diploma falso apresentado ao Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul. O documento teria sido fornecido por um dos investigados.

O principal alvo da operação desta quarta-feira já havia sido investigado pela PF em 2016, quando a corporação apurou fraude no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Os investigados respondem por falsificação de documento e uso de documento falso. As penas e o enquadramento definitivo dependem do andamento do inquérito e do oferecimento de denúncia pelo Ministério Público Federal. A PF não divulgou os nomes dos presos.

Para quem mora no Distrito Federal, a checagem do registro de um profissional pode ser feita no site do Conselho Federal de Medicina e no do Conselho Regional de Medicina do DF, que mantêm consulta pública por nome e número de inscrição. Leia também sobre a vacinação contra a dengue no DF.

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