Policial militar é preso sob suspeita de feminicídio em Embu das Artes
Soldado da PM de Sao Paulo foi levado ao Presidio Militar Romao Gomes; vitima tinha 29 anos
Um policial militar foi preso sob suspeita de feminicídio em Embu das Artes, na região metropolitana de São Paulo. A vítima, Larissa Cruz Morata, de 29 anos, foi encontrada morta com um disparo na cabeça no banheiro da residência onde morava com o suspeito, no dia 7 de setembro.
O preso é Vinícius Costa Silva, soldado da Polícia Militar e marido da vítima. Foi ele quem acionou o serviço de emergência, ao alegar que encontrou a esposa já morta quando acordou. A versão não se sustentou diante das primeiras diligências.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo determinou a prisão após as investigações apontarem, segundo a pasta, "indícios de ocorrência de infração penal a ser investigada, dada a dinâmica dos fatos e elementos objetivos".
Caso corre em duas frentes
A ocorrência foi registrada inicialmente como morte suspeita pela Delegacia de Embu das Artes, que segue com as diligências. Por ser militar estadual, o soldado foi encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes, na capital paulista, unidade destinada a policiais militares presos.
A Corregedoria da Polícia Militar apura em paralelo a conduta funcional do soldado. As duas apurações são independentes: uma trata do crime, outra da permanência dele na corporação.
O suspeito responde em liberdade ou em prisão conforme a decisão judicial de cada etapa, e é tratado como suspeito até eventual condenação.
Agressor armado muda o cálculo de risco
Casos em que o suspeito tem porte funcional de arma são tratados como de risco elevado pelos protocolos de proteção à mulher. Nessas situações, a recomendação técnica é o afastamento imediato do agressor e o recolhimento do armamento, medidas que a Justiça pode determinar junto com a medida protetiva de urgência.
A Lei 14.994, de 2024, tornou o feminicídio crime autônomo, com pena de 20 a 40 anos de reclusão. Antes disso, ele era qualificadora do homicídio, prevista na Lei 13.104, de 2015. A mudança também vedou penas alternativas e endureceu a progressão de regime.
São Paulo registrou 142 feminicídios no primeiro semestre de 2026, alta de 10% na comparação com o mesmo período de 2025, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública do estado. O número contraria a curva de queda de homicídios em geral no estado e é o que sustenta a cobrança por protocolos específicos.
No Congresso, tramitam propostas para encurtar o prazo de resposta do Estado nesses casos. Uma delas fixa 24 horas para a concessão de medida protetiva em situação de alto risco.
Onde buscar ajuda
Mulheres em situação de violência podem acionar os canais a seguir, que funcionam 24 horas e atendem em todo o país:
- 190: Polícia Militar, para emergência em andamento.
- 180: Central de Atendimento à Mulher, que orienta e encaminha para a rede local.
- Delegacias da Mulher: registram ocorrência e pedem medida protetiva, sem necessidade de advogado.
- Casas da Mulher Brasileira: reúnem delegacia, Justiça, Ministério Público, Defensoria e acolhimento no mesmo endereço.
Quando o suspeito é agente de segurança, a denúncia também pode ser feita à corregedoria da corporação e ao Ministério Público, por canais independentes da delegacia.