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Terremoto de magnitude 7,7 deixa ao menos 47 mortos na Indonésia

Epicentro foi no mar, perto da ilha de Flores, a 15 km de profundidade; alerta de tsunami foi encerrado três horas depois

Um terremoto de magnitude 7,7 atingiu a costa leste da Indonésia na madrugada deste sábado (15/8), às 4h58 no horário local, e deixou ao menos 47 mortos, segundo balanço da Agência Nacional de Mitigação de Desastres do país (BNPB) divulgado pela agência Reuters. O epicentro foi no mar, perto da ilha de Flores, a 15 quilômetros de profundidade.

O número de vítimas é parcial e corresponde ao balanço divulgado até a tarde deste sábado. Estradas bloqueadas e queda de energia atrasavam o trabalho das equipes de resgate.

Tsunami, réplicas e um segundo tremor

As autoridades indonésias emitiram alerta de tsunami logo após o tremor. Foram registradas ondas de menos de um metro, e o alerta foi encerrado cerca de três horas depois. Dezenas de réplicas se seguiram, entre elas uma de magnitude 6,2. No mesmo dia, um novo tremor de magnitude 6,9 voltou a atingir a ilha.

Em Maumere, principal cidade da regência de Sikka, em Flores, o chefe da agência de resgate local, Fathur Rahman, informou seis feridos e duas pessoas presas sob escombros. Também foram atingidas as cidades de Nagekeo, Ende e Talibura, além de Nusa Tenggara Ocidental e partes de Sulawesi do Sul.

Cerca de 2 mil moradores de Nagekeo deixaram suas casas. O levantamento preliminar de danos aponta 157 casas com estragos graves, 87 escolas, 18 unidades de saúde e cinco locais de culto atingidos. Houve queda de energia e bloqueio de estradas.

"O terremoto foi enorme, o tremor foi muito forte", disse Nona, moradora de 51 anos de Talibura, à Reuters.

Por que a região concentra tremores

A Indonésia fica sobre o Círculo de Fogo do Pacífico, faixa em que placas tectônicas se encontram e concentra a maior parte da atividade sísmica e vulcânica do planeta. O arquipélago registra tremores com frequência, e a mesma área de Flores foi atingida por um terremoto de magnitude 7,5 em 1992.

Terremotos acima de magnitude 7 liberam energia suficiente para derrubar construções de alvenaria sem reforço estrutural, padrão comum em cidades pequenas do leste indonésio. O horário do tremor, de madrugada, com a população dormindo, é um fator que costuma elevar o número de vítimas.

A escala de magnitude de momento, usada nos boletins oficiais, é logarítmica: cada ponto inteiro a mais corresponde a cerca de 32 vezes mais energia liberada. A diferença entre o tremor principal, de 7,7, e as réplicas de 6,2 e 6,9 registradas depois é, por isso, maior do que a distância entre os números sugere.

Profundidade também pesa. O epicentro a 15 quilômetros é classificado como raso, faixa em que a energia chega à superfície com menos dissipação e o estrago se concentra perto do foco. Terremotos rasos com epicentro no mar são também os que reúnem condição para gerar tsunami, o que motivou o alerta emitido pelas autoridades locais logo após o tremor.

Brasileiros em situação de emergência na Indonésia podem acionar a Embaixada do Brasil em Jacarta, que mantém plantão consular para atendimento fora do horário de expediente. Os balanços oficiais do desastre são publicados pela BNPB.

O balanço deve ser revisado nas próximas horas. Em desastres desse porte, o número oficial sobe conforme as equipes chegam a povoados que ficaram sem comunicação, o que ocorreu em parte das áreas rurais de Sikka e Nagekeo.

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