Terremoto na Indonésia chega a 100 mortos e 180 mil desabrigados
Tremor de magnitude 7,7 atingiu a província de Nusa Tenggara Oriental em 15 de agosto; buscas entraram no décimo dia consecutivo
O número de mortos no terremoto que atingiu a Indonésia em 15 de agosto chegou a 100, segundo balanço divulgado em 24 de agosto pelas autoridades do país. O tremor teve magnitude 7,7 e atingiu a província de Nusa Tenggara Oriental, no leste do arquipélago.
Além dos mortos, o levantamento aponta mais de 1,6 mil feridos e cerca de 180 mil pessoas desabrigadas. Mais de 73 mil casas foram danificadas pelo tremor e pelos milhares de réplicas registradas desde então.
As operações de resgate e de distribuição de ajuda humanitária entraram no décimo dia consecutivo. As autoridades informaram que os suprimentos estão sendo levados às áreas afetadas por helicópteros, caminhões e motocicletas, alternativa adotada porque parte das estradas da região ficou intransitável.
O terremoto mais letal desde 2022
O tremor de 15 de agosto é o mais letal registrado na Indonésia desde 2022. O país fica sobre o Círculo de Fogo do Pacífico, faixa de intensa atividade tectônica que se estende pelas bordas do oceano e concentra a maior parte dos terremotos e das erupções vulcânicas do planeta.
A posição geográfica explica a frequência dos eventos: o arquipélago indonésio se assenta no encontro de várias placas tectônicas, o que produz tremores de forma recorrente e, em episódios de maior magnitude, tsunamis.
A elevação do balanço para 100 mortos reflete o avanço das equipes sobre áreas que permaneceram isoladas nos primeiros dias, quando os números divulgados eram significativamente menores. É um padrão comum em desastres desse porte: o total de vítimas costuma subir à medida que o acesso às localidades atingidas é restabelecido.
A magnitude 7,7 coloca o tremor na faixa classificada como grande pela escala de magnitude de momento, capaz de causar danos sérios em áreas extensas, sobretudo onde as construções não seguem normas antissísmicas.
O Brasil, por estar no centro da placa Sul-Americana, longe das bordas onde as placas se encontram, registra tremores de baixa magnitude e não tem histórico de terremotos destrutivos como os do Pacífico.
O que significa magnitude 7,7
A escala de magnitude de momento, usada hoje pelos serviços geológicos, é logarítmica: cada ponto a mais representa liberação de energia dezenas de vezes maior. Um tremor de 7,7 libera cerca de 30 vezes mais energia que um de 6,7 e está na faixa capaz de derrubar edificações em uma área extensa.
O efeito real, porém, depende menos do número e mais de três fatores: a profundidade do epicentro, a distância dele até áreas povoadas e o padrão construtivo das edificações atingidas. Tremores rasos, próximos de cidades com construções sem reforço estrutural, produzem destruição muito maior do que eventos de magnitude parecida em regiões despovoadas.
As réplicas, registradas aos milhares desde 15 de agosto, ajudam a explicar o número de casas danificadas. Estruturas que resistiram ao tremor principal com fissuras acumulam dano a cada nova sacudida e acabam condenadas, o que amplia o total de desabrigados nos dias seguintes.
A Indonésia mantém uma agência nacional de gestão de desastres e um sistema de alerta ligado à atividade sísmica, montado depois da sequência de catástrofes que atingiu o arquipélago nas últimas décadas.
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