Guia do DF orienta imprensa a cobrir feminicídios sem revitimizar
Documento da SSP-DF com TJDFT, MPDFT e Defensoria reúne 20 diretrizes para a comunicação sobre violência contra a mulher
A Secretaria de Segurança Pública do DF lançou em 24 de junho, no Espaço Cultural Renato Russo, na 508 Sul, o Guia de Comunicação sobre Feminicídios, documento com 20 diretrizes para orientar jornalistas, comunicadores e órgãos públicos na cobertura de crimes contra mulheres.
O material foi produzido em parceria com o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), o Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) e a Defensoria Pública do DF, e vem circulando desde então em redações e órgãos do GDF. O evento de lançamento recebeu o nome de "Comunicação que Protege".
O que o guia orienta
As 20 diretrizes estão organizadas em quatro eixos e atacam vícios comuns da cobertura policial:
- Usar o termo "feminicídio" no lugar de expressões como "crime passional"
- Não atribuir o crime a ciúmes, álcool ou desemprego, fatores que deslocam a responsabilidade do autor
- Não culpar a vítima nem romantizar a violência
- Contextualizar o feminicídio como problema estrutural ligado à desigualdade de gênero
- Proteger os órfãos e familiares na exposição dos casos
- Divulgar os serviços de proteção disponíveis, como o 180 (Central de Atendimento à Mulher) e o 190
Na apresentação, a juíza Fabriziane Zapata, coordenadora da Coordenadoria da Mulher do TJDFT, destacou que o feminicídio não é evento isolado. Marcelo Zago, coordenador da Câmara Técnica de Monitoramento de Homicídios e Feminicídios, rebateu a ideia de que orientar a imprensa limitaria o trabalho jornalístico.
"O risco existe e precisa ser enfrentado por meio da articulação, não da censura", afirmou Marcelo Zago no lançamento do guia.
Segundo números citados pelo Metrópoles na cobertura do lançamento, o DF registrou cerca de 23 mil ocorrências de violência contra a mulher no último ano, volume que ainda subestima os casos reais.
Peça de uma política mais ampla no DF
O guia se soma a uma sequência de medidas de proteção à mulher no DF. A governadora Celina Leão assinou neste ano o plano de proteção à mulher com rede de apoio a mães atípicas, e a CLDF aprovou os centros regionais 24 horas de apoio à mulher vítima de violência e o cadastro de condenados por estupro e violência contra a mulher.
Segundo o Metrópoles, a mesa do lançamento reuniu o secretário de Segurança Pública, Alexandre Matury, o procurador-geral do MPDFT, Georges Carlos Fredderico, a defensora pública-chefe, Antonia Carneiro, e representantes da Secretaria da Mulher e da Federação Nacional dos Jornalistas.
Mulheres em situação de violência no DF podem acionar o 180, o 190 em emergências, as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher e a Patrulha Maria da Penha da PMDF.