Cidades

Morador de Águas Claras perde movimentos após onda em praia de Recife

Filipe de Freitas, de 41 anos, sofreu traumatismo raquimedular cervical em 10 de agosto e passou por cirurgia na sexta-feira

Um morador de Águas Claras perdeu os movimentos das pernas depois de ser atingido por uma onda durante banho de mar em Recife, em Pernambuco. Filipe de Freitas, de 41 anos, passou por cirurgia em 14 de agosto e segue internado na capital pernambucana.

O acidente aconteceu em 10 de agosto, no primeiro dia da viagem da família ao litoral. Segundo a irmã dele, Paula Torres, de 40 anos, todos estavam no mar quando Filipe foi atingido pela onda e sofreu forte impacto na região cervical. Ele perdeu os movimentos e ficou dentro d'água sem conseguir levantar a cabeça.

O quadro foi descrito como traumatismo raquimedular cervical, com comprometimento dos movimentos dos braços e das pernas. Filipe mexe o braço esquerdo, tem dificuldade com o direito e não movimenta as pernas. A cirurgia foi feita em um hospital público de Recife. Ele está consciente e consegue se comunicar.

A lesão que acontece em segundos

O traumatismo raquimedular é a lesão da coluna vertebral que atinge a medula espinhal, o feixe nervoso que leva os comandos do cérebro ao restante do corpo. Quando ocorre na região cervical, a parte mais alta da coluna, o comprometimento pode alcançar braços, tronco e pernas ao mesmo tempo.

O mecanismo em acidentes de praia é conhecido: a cabeça sofre uma parada brusca, por impacto contra a areia ou contra a força da onda, enquanto o corpo continua em movimento. A energia se concentra nas vértebras do pescoço. Mergulho em água rasa e arrebentação forte estão entre as situações mais associadas a esse tipo de lesão.

A extensão da recuperação depende da altura e do grau da lesão, e o prognóstico só se define ao longo de semanas de acompanhamento. Não há informação divulgada sobre previsão de alta ou plano de reabilitação.

Distância que complica o atendimento

Para quem mora no Centro-Oeste, um acidente no litoral impõe uma logística difícil. O tratamento inicial precisa ser feito no estado onde a lesão ocorreu, e a transferência para o Distrito Federal depende de o quadro clínico permitir o transporte e de regulação entre as redes estaduais.

Enquanto isso, a família se divide entre o hospital em Recife e a rotina em Brasília. Paula, que falou publicamente sobre o caso, é quem acompanha o irmão em Pernambuco.

Brasília concentra serviços de reabilitação de referência para a região, mas o encaminhamento passa por avaliação médica e pela fila de regulação, o que costuma alongar o intervalo entre a cirurgia e o início do tratamento continuado.

O que fazer diante de uma suspeita de lesão na coluna

  • Não movimentar quem sai da água sem conseguir mexer braços ou pernas. Movimentar pode agravar a lesão.
  • Manter a pessoa imobilizada, com a cabeça alinhada ao tronco, e acionar o resgate imediatamente.
  • Entrar no mar de frente para as ondas, nunca de costas.
  • Não mergulhar de cabeça sem conhecer a profundidade do local.
  • Procurar avaliação médica diante de dor persistente no pescoço ou formigamento nos membros após impacto na água.

A orientação de imobilizar e chamar socorro vale também para acidentes em água doce. Campanhas de prevenção no DF reforçam esse ponto em períodos de maior circulação em piscinas, clubes e no Lago Paranoá.

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