Saúde

Celina diz que a fila de cirurgia do DF está suja e põe novo sistema de regulação em licitação

Governadora citou mais de 20 mil cirurgias contratadas e cerca de 5 mil faltas em procedimentos agendados

Neste texto3 tópicos
  1. O que é o sistema que o GDF quer trocar
  2. Quantas UPAs e quantos médicos ela prometeu
  3. A promessa que ela diz não ser possível cumprir

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (Progressistas), afirmou nesta sexta-feira, 25, que a fila de cirurgias eletivas da rede pública está "suja" e anunciou que o GDF licita um novo sistema de regulação para substituir o SISREG em uso. A declaração foi dada em entrevista ao programa Vozes da Comunidade.

Segundo a governadora, o sistema atual não consegue retirar da fila quem já foi operado, desistiu ou não pode ser localizado, e isso distorce o tamanho real da espera. Ela citou como exemplo mais de 20 mil cirurgias contratadas pelo programa SUS Candango, com cerca de 5 mil ausências em procedimentos já agendados.

"Significa o quê? Que a fila tá suja. Quando a gente fala que a fila tá suja é porque ou a pessoa já saiu da fila ou não conseguiram informar. O sistema está ineficiente para nem botar essa pessoa na fila, já tinha que retirar antes do sistema chamar. Nós estamos fazendo essa mudança agora, isso já tá em licitação", disse Celina Leão.

O que é o sistema que o GDF quer trocar

O SISREG é o sistema de regulação distribuído pelo Ministério da Saúde às secretarias estaduais e municipais. É nele que o paciente entra na fila depois do pedido do médico da atenção básica, e é dele que sai a convocação para consulta especializada, exame ou cirurgia. Quem não é chamado ou não comparece continua registrado até que alguém atualize o cadastro. É esse ponto que a governadora aponta como o gargalo.

A troca do sistema vem acompanhada de outra licitação citada na entrevista, a do prontuário único. O argumento apresentado é o de que a atenção básica e a alta complexidade não conversam entre si.

"A saúde pública enfrenta problemas estruturais há anos, sem comunicação entre a atenção básica e a alta complexidade. Estamos licitando prontuário único para unificar essa trajetória", afirmou a governadora.
Tabela com sete anúncios feitos pela governadora: novo sistema de regulação em licitação, mais de 20 mil cirurgias contratadas, cerca de 5 mil faltas, cinco UPAs até o fim de 2026, cerca de 700 médicos admitidos, 13 tomógrafos e prontuário único em licitação
Os sete anúncios da entrevista, com o número que a governadora citou em cada um.Arte: DistritoNews

Quantas UPAs e quantos médicos ela prometeu

Ainda segundo Celina Leão, o plano de infraestrutura prevê cinco unidades de pronto atendimento entregues até o fim deste ano e outras duas no período seguinte, em regiões que ela citou como Taguatinga, Águas Claras, Águas Quentes e Estrutural. A governadora estimou em torno de R$ 100 milhões anuais o custo de manter cada nova unidade com equipe e insumos.

Sobre pessoal, ela disse que cerca de 700 médicos foram admitidos ao longo da administração, sendo 300 clínicos gerais no último mês, e reconheceu que a evasão continua por causa da concorrência com o setor privado. A entrevista também mencionou quase R$ 100 milhões aplicados em reformas de alas de internação, centros obstétricos e unidades de terapia intensiva, além da compra de 13 tomógrafos para evitar o transporte de pacientes entre hospitais.

Nenhum desses números consta de publicação oficial da Secretaria de Saúde consultada até a conclusão desta reportagem, e por isso são aqui atribuídos à fala da governadora. A Agência Brasília, canal oficial do GDF, não respondia a requisições no período de apuração.

A promessa que ela diz não ser possível cumprir

O trecho mais direto da entrevista foi sobre o que os adversários prometem. Celina Leão disse que zerar fila é promessa que não se sustenta, porque a demanda se renova todos os dias, e defendeu que o compromisso público seja com prazo de espera, não com estoque.

"Nenhum candidato que fala em zerar fila ele tá falando a verdade com a população, porque você tem uma fila pequena, amanhã ela aumenta. Então você tem que falar em tempo de espera. Você tem que ter um tempo digno de espera. É um dia, dois dias, três dias, depende da gravidade de cada caso", declarou.

Sobre o SUS Candango, ela explicou que o programa contratou a rede privada para procedimentos eletivos de média e baixa complexidade, com meta de 20 mil cirurgias e 200 mil consultas especializadas, convertidas em 700 mil procedimentos diagnósticos. No atendimento a dependentes químicos em situação de rua, disse que a internação involuntária é recurso excepcional, sob supervisão médica, no Hospital São Vicente de Paulo.

A saúde tem peso alto na disputa ao Buriti. Na pesquisa Quaest divulgada em 23 de setembro, Celina aparecia com 33%, Grass com 21% e Arruda com 17%. A rede pública também acumula obras paradas: o DistritoNews mostrou que a construção do Caps AD de Taguatinga parou após vandalismo e virou alvo de recomendação do MPDFT à Novacap.

O próximo passo verificável é a publicação dos editais. Tanto o novo sistema de regulação quanto o prontuário único foram descritos como processos em andamento, e é no Diário Oficial do Distrito Federal que aparecem o objeto, o valor estimado e o prazo de cada um.

5 visualizações