Cidades

Comitê da UnB prepara campi para os efeitos do El Niño no DF

Grupo analisa propostas para incêndios, refúgio climatizado, comunicação de crise e monitoramento de riscos

O comitê criado pela Universidade de Brasília (UnB) para enfrentar os efeitos do El Niño apresentou em sua segunda reunião as propostas de quatro frentes de trabalho: comunicação, prevenção de incêndios, espaços de refúgio climatizado e monitoramento de riscos nos campi.

O encontro ocorreu em 3 de setembro, e a universidade divulgou o balanço em 9 de setembro. A reunião seguinte foi marcada para 11 de setembro, para continuar a análise das propostas.

A discussão interessa a quem vive no Distrito Federal porque a UnB reúne dezenas de milhares de estudantes e servidores em quatro campi e mantém a Fazenda Água Limpa, área de cerrado preservado no sul da cidade que faz divisa com regiões já atingidas pelo fogo nesta estiagem.

Fogo, aceiros e a lição do incêndio vizinho

O coordenador de Paisagismo da Prefeitura da UnB, Madson Reis, apresentou as ações contra incêndios. Na Fazenda Água Limpa, são cerca de 200 quilômetros de estradas internas que funcionam como aceiros, faixas sem vegetação que interrompem o avanço das chamas e precisam de manutenção constante durante a seca.

Segundo o relato apresentado ao comitê, os aceiros preparados 15 dias antes evitaram que incêndios vindos do Gama e de Ceilândia avançassem sobre a área da universidade. A proposta em análise inclui intensificar a limpeza e a manutenção dessas faixas e discutir, em prazo mais longo, o manejo integrado do fogo no cerrado.

A professora do Instituto de Ciências Biológicas Isabel Belloni Schmidt defendeu que parte das orientações não precisa esperar o plano final.

Tem coisas que são relativamente simples de dizer e de comunicar, que já podem ser comunicadas.

Refúgio climatizado e comunicação de crise

O diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Caio Silva, apresentou um diagnóstico dos espaços que podem servir de refúgio em dias de calor extremo. A prefeita da UnB, Daniele Coelho, expôs o estudo sobre climatização e a eventual aquisição de equipamentos para essas áreas.

O secretário de Comunicação, João Curvello, levou a proposta inicial de um plano com estratégias internas e externas e procedimentos para situações de crise. Entre as medidas previstas estão boletins periódicos e orientações práticas à comunidade, como não tentar combater o fogo sozinho e acionar o Corpo de Bombeiros pelo 193.

A reitora Rozana Naves afirmou que a preparação precisa ser permanente, e não uma resposta pontual a esta estiagem.

Esses fenômenos inevitavelmente vão ser cada vez mais recorrentes.

O que vem pela frente no DF

As quatro frentes seguem em análise e devem resultar em um plano integrado para os campi, com ações de prevenção, comunicação e acolhimento durante o período mais seco do ano. A universidade não divulgou prazo para a conclusão do documento nem valores destinados aos equipamentos em estudo.

O trabalho do comitê se soma ao esforço do Distrito Federal contra os incêndios florestais, que se concentram entre agosto e outubro. A projeção de intensificação do El Niño levou órgãos federais a alertar para uma estiagem mais severa nesta virada de ano. Em agosto, o DF já acumulava 2.320 incêndios em vegetação.

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