Economia

Caged: Brasil gera 165,8 mil vagas em agosto e serviços já respondem por 61% do ano

Estoque chega a 48,2 milhões de vínculos, mas o salário médio de admissão fica parado em R$ 2.410,74

Neste texto5 tópicos
  1. Quais setores estão puxando o emprego formal em 2026
  2. O saldo do ano é menor que o de 2025
  3. Quem conseguiu vaga em agosto
  4. Como ficou o mapa por estado
  5. O que acompanhar daqui para a frente

O mercado formal de trabalho brasileiro abriu 165.827 vagas com carteira assinada em agosto de 2026, resultado de 2.294.563 admissões contra 2.128.736 desligamentos. Com o mês, o estoque chegou a 48.244.696 vínculos ativos, segundo o Novo Caged divulgado nesta terça-feira (29) pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

No acumulado de janeiro a agosto, o país soma 1.134.033 postos formais criados, crescimento de 2,41% sobre o estoque do fim de 2025. O saldo, porém, esconde uma concentração pouco comentada: mais de seis em cada dez vagas abertas no ano saíram de um único grupamento de atividade.

Quais setores estão puxando o emprego formal em 2026

Serviços responde por 697.859 dos 1.134.033 postos abertos no ano, ou 61,5% do total. É o grupamento que mais cresceu em número absoluto e o segundo em ritmo: alta de 3,05% sobre o próprio estoque. A Construção cresceu mais rápido em termos relativos, com 6,79% e saldo de 200.431 vagas.

Indústria (170.442 postos, +1,90%) e Agropecuária (56.024, +3,09%) vêm na sequência. O Comércio é o ponto fora da curva: abriu 9.300 vagas no ano, variação de 0,09%, praticamente estabilidade em um setor que emprega milhões de pessoas.

Gráfico de barras com as cinco atividades que mais abriram vaga formal em agosto de 2026
Educação lidera a abertura de vagas em agosto, com 25.416 postos; as cinco atividades somam mais de 80 mil contratações líquidasArte: DistritoNews, com dados do Novo Caged

Em agosto isolado, os cinco grupamentos ficaram positivos. Serviços liderou com 110.346 postos, seguido de Construção (20.848), Indústria (16.613), Comércio (16.565) e Agropecuária (1.452). Dentro de serviços, os destaques foram educação (25.416), saúde humana e serviços sociais (19.142) e transporte, armazenagem e correio (16.819).

O saldo do ano é menor que o de 2025

O dado positivo convive com uma desaceleração. A Agência Brasil registrou queda de 25,2% no acumulado de vagas formais de janeiro a agosto na comparação com o mesmo período do ano passado. Agosto de 2026 também é o segundo resultado mais fraco da série para o mês desde 2020, atrás apenas de agosto de 2025. A mudança de metodologia do Caged impede comparar com anos anteriores a 2020.

O salário médio real de admissão reforça o quadro de acomodação. Ele ficou em R$ 2.410,74 em agosto, R$ 0,74 abaixo de julho e R$ 24,31 acima de agosto de 2025, uma alta de 1,02% em doze meses. Na prática, quem entrou no mercado formal neste ano está sendo contratado pelo mesmo valor real de um ano atrás.

Quem conseguiu vaga em agosto

  • Por sexo: saldo de 83.989 para mulheres e 81.838 para homens.
  • Por idade: 128.997 postos foram para pessoas de até 24 anos, o que corresponde a 78% do saldo do mês.
  • Por escolaridade: quem tem ensino médio completo ficou com 100.939 vagas; médio incompleto, com 23.651; os demais níveis somaram 41.237.
  • Por cor ou raça: pardos (117.830), brancos (38.401), pretos (19.062) e indígenas (242).
  • Por tipo de vínculo: 73,5% são vínculos típicos (121.964) e 26,5% não típicos (43.863), sobretudo jornada de até 30 horas (40.661) e aprendizes (17.637).

Como ficou o mapa por estado

Vinte e quatro unidades da Federação fecharam agosto no azul. Em números absolutos, São Paulo abriu 42.533 vagas, o Rio de Janeiro 20.886 e Pernambuco 13.428. Em variação sobre o próprio estoque, os maiores avanços foram da Paraíba (1,59%), do Amapá (1,38%) e do Rio Grande do Norte (0,92%).

Três estados fecharam mais postos do que abriram: Rio Grande do Sul (-1.611), Rondônia (-923) e Espírito Santo (-287). O Ministério do Trabalho atribui o resultado capixaba ao fim da safra do café, o de Rondônia à indústria alimentícia e o gaúcho à indústria do fumo e ao comércio.

No acumulado do ano, a liderança é de São Paulo (306.883), Minas Gerais (123.176) e Rio de Janeiro (77.670). Em termos relativos, Amapá (6,30%), Piauí (4,27%) e Acre (4,09%) puxam a lista. Nos últimos doze meses, de setembro de 2025 a agosto de 2026, o emprego formal cresceu 887.708 postos, alta de 1,87%.

O que acompanhar daqui para a frente

O Caged é revisado mês a mês: o ministério incorpora declarações entregues fora do prazo e corrige os saldos anteriores. Por isso o número de agosto ainda pode subir ou cair nas próximas divulgações, como já aconteceu com o dado de agosto de 2025, hoje em 154.683 postos na série ajustada.

A próxima divulgação, com os dados de setembro, é o teste do quarto trimestre, período em que o comércio costuma contratar para as festas de fim de ano. Foi justamente o comércio o setor mais travado em 2026. Quem procura vaga no Distrito Federal pode acompanhar o desempenho local na nossa cobertura sobre o crescimento de 51,9% do emprego formal no DF apurado pela Rais e comparar com o saldo de maio, quando o país abriu 131,8 mil vagas.

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