Greve de ônibus no DF: empresas oferecem 5,5% e sindicato recomenda recusar a proposta
A assembleia deste domingo decide se o ônibus para na segunda. Veja a proposta item por item e o que a lei obriga a manter rodando no DF.
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Os rodoviários do Distrito Federal se reúnem em assembleia neste domingo, 27 de setembro, para decidir se mantêm a greve marcada para a segunda-feira. A categoria vai responder à proposta final que as concessionárias de ônibus entregaram por escrito na reunião de 25 de setembro, com 5,5% de reajuste salarial. A direção do sindicato já recomendou recusar.
"A greve já está agendada", afirmou João Osório, diretor financeiro do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Terrestres do DF, ao Metrópoles. Ele acrescentou que só uma proposta aceita pela categoria suspende o movimento. Em mensagem a jornalistas, o dirigente disse que a entidade considera a oferta insuficiente e que essa é a orientação que leva à base.
O que as empresas colocaram na mesa
O percentual de 5,5% embute ganho real de 1,39% sobre o INPC de 4,11% acumulado no período do acordo. O pacote inclui ainda 6% de reajuste no tíquete refeição e na cesta-alimentação, 11,88% no auxílio saúde e no plano odontológico, o dobro do valor no seguro de vida, uma cesta extra no mês de aniversário do empregado e a garantia dos postos de cobrador. As diferenças salariais seriam pagas com retroativo a 1º de agosto.

A régua da categoria é o acordo anterior. O instrumento que valeu de 1º de agosto de 2025 a 31 de julho de 2026 trouxe reajuste de 7,56%. A proposta desta rodada fica dois pontos percentuais abaixo dele, e é esse o argumento que a diretoria usa para pedir a recusa.
Por que a negociação travou
A pauta de reivindicações foi entregue às empresas e ao Governo do Distrito Federal em 19 de julho de 2026. Desde então, houve mais de dez rodadas de negociação, segundo o registro do Diário do Transporte, publicação especializada em transporte público. O acordo coletivo da categoria venceu no fim de julho e não foi renovado.
O impasse não é só salarial. O documento vencido garante jornada de seis horas corridas, tíquete e cesta-alimentação, assistência médica e odontológica, adicional por tempo de serviço e emprego para os cobradores. Sem renovação, todas essas cláusulas ficam no ar. A garantia dos cobradores é o ponto que mais mobiliza a base, porque o posto vem encolhendo no transporte público brasileiro com a bilhetagem eletrônica.
A greve já havia sido aprovada por unanimidade na assembleia de 20 de setembro. O encontro deste domingo não recria a decisão: ele serve para a categoria responder à proposta final e acertar a operação da paralisação.
O que o passageiro precisa saber antes de segunda
Transporte coletivo é serviço essencial na Lei 7.783, de 1989. O artigo 11 obriga sindicato, empresas e trabalhadores a garantir, de comum acordo, os serviços indispensáveis durante a paralisação, e o artigo 12 diz que, se isso não acontecer, o poder público assegura a prestação. Na prática, parte da frota circula mesmo com greve.
Nem o sindicato nem as concessionárias divulgaram até agora o percentual de frota que pretendem manter na rua. Quando as partes não chegam a esse número sozinhas, quem fixa é a Justiça do Trabalho. O DistritoNews detalhou o que a lei exige e o que caracteriza abuso em o que a lei obriga a manter rodando no DF durante a greve dos rodoviários.
O metrô não entra nesta paralisação. Os metroviários do DF são outra categoria, com negociação própria, e encerraram o indicativo de greve depois de acordo com o Metrô-DF em setembro. Quem mora perto de uma estação tem aí a alternativa mais previsível para a segunda-feira.
O que dizem o governo e as empresas
A Secretaria de Transporte e Mobilidade do Distrito Federal informou que acompanha as tratativas entre as partes. A governadora Celina Leão afirmou em agenda no Gama, no dia 21, que não é o momento de tratar de reajuste e classificou o movimento como pressão em ano eleitoral. Na mesma semana, ao ser questionada de novo, disse que "os rodoviários merecem ter reajuste, eles acordam às 3 horas da manhã".
As concessionárias não divulgaram posição pública sobre a assembleia deste domingo até a publicação desta reportagem. O plantão de imprensa da Semob atende pelo telefone (61) 99345-4775.
O que acompanhar a partir de agora
Três sinais definem a segunda-feira: o resultado da assembleia deste domingo, o percentual de frota acertado para o serviço essencial e eventual decisão da Justiça do Trabalho. Se a greve for mantida, o primeiro teste é o pico da manhã nos terminais das regiões mais distantes, a seis dias do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.
Quem depende de ônibus não precisa esperar a segunda para se organizar. Vale combinar carona ainda no domingo, checar se o empregador libera trabalho remoto, avisar a escola das crianças e acompanhar a linha pelo aplicativo da Semob, que mostra a posição do veículo em tempo real e indica se ele saiu da garagem.