Cidades

Greve de ônibus no DF não houve: acordo de 8% fechado na véspera derrubou a paralisação

A paralisação decretada pela manhã caiu à noite, com 8% no salário e 10% no tíquete e na cesta. Veja o que ficou de fora do acerto e o que falta assinar.

Neste texto5 tópicos
  1. O que mudou entre a manhã e a noite de domingo
  2. Dois itens da pauta ficaram sem resposta
  3. A liminar do TRT-10 perdeu objeto
  4. O que o passageiro precisa saber nesta semana
  5. O que ainda falta acontecer

Os ônibus do Distrito Federal circularam normalmente nesta segunda-feira (28). A greve que a assembleia tinha decretado pela manhã de domingo foi suspensa à noite, depois que uma reunião entre o sindicato, as concessionárias e a Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob) fechou reajuste de 8% no salário e de 10% no tíquete-refeição e na cesta-alimentação.

O percentual salarial é o mesmo que a categoria vinha pedindo desde julho. A recusa da manhã, no estacionamento do Conic, tinha sido a uma oferta de 6%.

Quem comunicou a suspensão foi João Dão, diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Terrestres do DF, em mensagem à base. "Em nome da diretoria, venho comunicar que através de uma reunião realizada com a secretária da Semob e representantes chegamos a um acordo de 8% de reajuste no salário, 10% no ticket e 10% na cesta", escreveu, orientando o retorno ao trabalho nos horários de sempre.

O que mudou entre a manhã e a noite de domingo

ItemPauta da categoriaProposta de 25/09Proposta de 26/09Acordo de 27/09
Reajuste salarial8%5,5%6%8%
Tíquete e cesta-alimentação10%6%7%10%
Auxílio saúde e odontológico12%11,88%11,88%Não divulgado
Seguro de vida em grupoSem valor divulgadoDobro do valorDobro do valorNão divulgado
CobradoresGarantia de empregoPostos mantidosPostos mantidos na vigênciaNão divulgado

A conta que sustentava a recusa aparece na primeira linha. As empresas argumentavam que 6% ficava "acima da inflação de 4,11% no período", mas a referência da categoria era outra: o acordo anterior, que valeu de 1º de agosto de 2025 a 31 de julho de 2026 e trouxe 7,56%. Qualquer número abaixo disso significava perda em relação ao instrumento vencido. Os 8% ficam acima dele.

Tabela comparando o que os rodoviários pedem e o que as empresas ofereceram em cada ponto do acordo coletivo
Ponto a ponto, o que a categoria pediu e o que veio na proposta escrita de 25 de setembro, duas ofertas antes do acerto.Arte: DistritoNews sobre a pauta do sindicato e a proposta das concessionárias

Dois itens da pauta ficaram sem resposta

O comunicado da suspensão trata de três rubricas: salário, tíquete e cesta. Ficaram de fora o auxílio saúde e odontológico, em que a diferença era de apenas 0,12 ponto, e a garantia de emprego dos cobradores.

O posto de cobrador é o ponto mais sensível da mesa. Ele vem encolhendo no transporte público brasileiro com a bilhetagem eletrônica, e as empresas ofereciam mantê-lo só enquanto durasse o novo acordo, não em cláusula permanente. Sem o texto do instrumento assinado, não dá para saber em que termos o item ficou.

Também seguem sem definição pública as cláusulas que o acordo vencido em 30 de julho garantia: jornada de seis horas corridas, adicional por tempo de serviço e assistência médica. A renovação delas era metade da disputa.

A liminar do TRT-10 perdeu objeto

Com a greve decretada pela manhã, o GDF pediu ao Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região a suspensão do movimento. O desembargador Dorival Borges de Souza Neto negou o pedido e também a declaração antecipada de abuso, mas fixou operação mínima: 80% das viagens programadas entre 5h30 e 9h e entre 17h e 20h, 50% fora dessas faixas, sob multa de R$ 100 mil por hora.

Como a paralisação foi suspensa antes de começar, nenhum desses percentuais chegou a ser exigido e nenhuma multa foi aplicada. O DistritoNews detalhou a base legal da decisão e a comparação com a greve de 2021 em o que a lei obriga a manter rodando no DF durante uma greve de ônibus.

A governadora Celina Leão atribuiu o desfecho à mediação do governo e do tribunal. "O domingo termina com uma excelente notícia para todos: as empresas de ônibus e o sindicato dos rodoviários chegaram a um acordo e, consequentemente, não haverá greve amanhã", escreveu nas redes sociais, citando a atuação da Secretaria de Transporte e Mobilidade, da Procuradoria-Geral do DF e do TRT.

Dois dias antes, a nota do Palácio do Buriti que anunciou a ida ao tribunal tinha classificado o movimento como "político-eleitoreira" e cobrado a filiação do sindicato à Central Única dos Trabalhadores. A negociação que fechou o acordo teve a Semob na mesa.

O que o passageiro precisa saber nesta semana

  • Operação normal. O sistema voltou à tabela habitual na madrugada de segunda, sem escala reduzida.
  • Eleição com tarifa zero. Em 4 e 25 de outubro o transporte público do DF é gratuito, e o GDF autorizou a tabela horária de dias úteis nos dois domingos, a pedido do TRE-DF.
  • Linha que não passa. Anote hora e ponto e registre na Ouvidoria da Semob, pelo 162.
  • Metrô. Segue com operação própria. Os metroviários encerraram o indicativo de greve depois de acordo com o Metrô-DF em setembro.

O que ainda falta acontecer

O acordo foi anunciado, não assinado. O documento que vale é o acordo coletivo de trabalho, e é ele que fixa a vigência, a retroatividade à data-base de 1º de agosto e o prazo de pagamento das diferenças salariais dos meses já vencidos.

Três coisas merecem acompanhamento: a data de assinatura do instrumento, a redação final da cláusula dos cobradores e o percentual que sobrar para o auxílio saúde. Enquanto o texto não é registrado, o que existe é um entendimento verbal comunicado à base pela diretoria do sindicato.

O sistema atende cerca de 1 milhão de passageiros por dia, número que o próprio governo apresentou ao TRT-10 para pedir a suspensão da greve.

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