Copom divulga na terça a ata da decisão que levou a Selic a 14%
Documento detalha o debate interno do comitê que cortou os juros em 0,25 ponto por unanimidade
O Banco Central divulga na manhã desta terça-feira (11) a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que reduziu a taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano. O encontro ocorreu nos dias 4 e 5 de agosto, na sede da autoridade monetária, na Esplanada dos Ministérios, e a decisão passou a valer na quinta-feira (6). As atas são publicadas às 8h da terça-feira seguinte a cada reunião.
O corte foi de 0,25 ponto percentual e teve votação unânime entre os sete integrantes do colegiado. Votaram com o presidente Gabriel Muricca Galípolo os diretores Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.
O que a ata acrescenta ao comunicado
O comunicado divulgado logo após a reunião tem poucos parágrafos e registra a decisão. A ata traz o percurso até ela: os cenários avaliados, as projeções de inflação usadas pelo comitê, a leitura sobre atividade econômica e mercado de trabalho e o balanço de riscos que sustenta o próximo passo dos juros.
É o documento que o mercado usa para calibrar a aposta sobre a reunião seguinte. Quando o texto detalha preocupação com a inflação de serviços ou com o câmbio, a leitura tende a ser de cautela. Quando registra melhora nas expectativas, abre espaço para novos cortes.
Os pontos que costumam concentrar a atenção na leitura da ata são:
- as projeções de inflação do cenário de referência para 2026 e 2027;
- a avaliação sobre o ritmo da atividade econômica e do mercado de trabalho;
- o balanço de riscos, com os fatores que podem elevar ou reduzir a inflação;
- a sinalização sobre a extensão do ciclo de cortes.
Quarto corte seguido
A redução de agosto foi a quarta consecutiva do ciclo iniciado em março de 2026. A Selic é a taxa básica de juros da economia e serve de referência para o custo do crédito, para o rendimento de aplicações de renda fixa e para o cálculo da dívida pública.
Na prática, cada corte demora a chegar ao consumidor. A transmissão da Selic para as taxas cobradas em financiamento imobiliário, crédito consignado e capital de giro leva meses, e o juro final ainda depende do risco de cada operação e do spread cobrado pelos bancos.
O Boletim Focus de 3 de agosto, pesquisa semanal do Banco Central com instituições financeiras, projetava IPCA de 5,03% para 2026. O índice oficial de julho será divulgado pelo IBGE também na terça-feira (11), no mesmo dia da ata, o que concentra dois dados de inflação e juros na abertura da semana.
Leia também: IBGE divulga o IPCA de julho na terça.
Onde acompanhar
A ata fica disponível no site do Banco Central, na seção de publicações do Copom, em português e em inglês. O documento é publicado sem entrevista coletiva. A próxima reunião do comitê já está marcada no calendário oficial da autoridade monetária, divulgado no ano anterior, e mantém o formato de dois dias, com decisão anunciada ao fim do segundo dia.
O Banco Central tem sede em Brasília e é um dos maiores empregadores públicos federais na capital, com o edifício-sede no Setor Bancário Norte. As decisões do Copom afetam diretamente o custo do crédito para famílias e empresas do Distrito Federal, região que concentra alta participação de servidores públicos com acesso a crédito consignado.