Dívida pública federal supera R$ 9 trilhões pela 1ª vez em maio
Estoque da Dívida Pública Federal chegou a R$ 9,03 trilhões em maio, alta de 2,66% sobre abril, com custo médio em 12,31% ao ano.
O estoque da Dívida Pública Federal alcançou R$ 9,03 trilhões em maio, segundo o Relatório Mensal da Dívida divulgado pelo Tesouro Nacional. O valor representa alta de R$ 234,40 bilhões, ou 2,66%, na comparação com abril.
A variação tem duas explicações principais. A emissão líquida de títulos somou R$ 134,46 bilhões. A apropriação de juros sobre o estoque adicionou outros R$ 99,94 bilhões.
O custo médio da dívida em 12 meses subiu de 12,22% ao ano em abril para 12,31% ao ano em maio. O movimento reflete o patamar elevado da taxa básica de juros, que pressiona o quanto o governo paga para se financiar.
O prazo médio do estoque recuou de 4,12 para 4,07 anos, dentro do intervalo de 3,8 a 4,2 anos previsto no Plano Anual de Financiamento. Prazos mais curtos exigem rolagem mais frequente dos papéis.
A Reserva de Liquidez da dívida, espécie de colchão para honrar vencimentos, chegou a R$ 1,211 trilhão, alta de 10,90% sobre abril. Frente a maio de 2025, quando somava R$ 861,30 bilhões, o avanço foi de 40,55% em termos nominais.
O número interessa ao leitor de Brasília além da estatística. O custo da dívida concorre com recursos para saúde, educação e investimentos, e os juros altos que encarecem o endividamento público também encarecem o crédito para famílias e empresas no Distrito Federal.
Pelo Plano Anual de Financiamento, o Tesouro projeta encerrar 2026 com o estoque entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões. O resultado de maio mantém a trajetória dentro do planejado para o ano.
A Dívida Pública Federal reúne os compromissos do governo no mercado interno e externo. Quando o estoque cresce, parte da alta vem de novas captações e parte vem da simples incorporação dos juros, sem entrada efetiva de dinheiro novo.
O Tesouro emite títulos para cobrir despesas e refinanciar papéis que vencem. A demanda dos investidores por esses títulos depende, em boa medida, da confiança no cumprimento das metas fiscais e na trajetória da inflação.
O próximo relatório mensal trará os dados de junho e permitirá avaliar se o ritmo de emissões e a apropriação de juros seguem empurrando o estoque para cima no segundo semestre.