GDF gastou R$ 31 bilhões até agosto, 65,3% da dotação de 2026, mostram técnicos à CLDF
Receitas correntes chegam a 71,85% da meta; assessor da Economia cita déficit herdado de quase R$ 3 bilhões
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O Governo do Distrito Federal (GDF) gastou R$ 31 bilhões até agosto, o equivalente a 65,3% da dotação autorizada para 2026, de R$ 47,6 bilhões. Os números foram apresentados por técnicos do governo à Comissão de Economia, Orçamento e Finanças (CEOF) da Câmara Legislativa em audiência pública na quinta-feira, 15, segundo a Agência CLDF.
Do lado da arrecadação, as receitas correntes somam R$ 28 bilhões, 71,85% da previsão inicial de R$ 39 bilhões para o ano.
Receitas e despesas até agosto
| Item | Previsão para 2026 | Até agosto | Alcance |
|---|---|---|---|
| Receitas correntes | R$ 39 bilhões | R$ 28 bilhões | 71,85% |
| Receitas tributárias | R$ 25,4 bilhões | R$ 20,1 bilhões | 79,29% |
| Receitas de capital | R$ 726 milhões | R$ 1,1 bilhão | 163,16% |
| Despesa empenhada | R$ 47,6 bilhões (dotação) | R$ 31 bilhões | 65,3% |
O ICMS, sozinho, responde por 46,2% de toda a arrecadação com impostos e taxas, de acordo com os dados levados à comissão.
O que dizem o governo e o presidente da comissão
O assessor especial de política fiscal da Secretaria de Economia do DF, Luiz Barreto, afirmou que 2026 sofre o efeito do déficit orçamentário dos dois anos anteriores. “Nós entramos em 2026 com quase R$ 3 bilhões de déficit”, disse. Por isso, segundo ele, a execução do ano precisa priorizar áreas como saúde e educação.
Barreto citou dois resultados primários: superávit de R$ 1,8 bilhão pelo critério da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e déficit de R$ 1,5 bilhão pelo da Lei Orçamentária Anual (LOA). Os dois números são dele, e a nota da CLDF não detalha a diferença de metodologia.
O assessor também informou que o gasto com pessoal está em 40,54% do orçamento, índice que, segundo ele, fica dentro do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal. Na educação, a lei exige 25% ao fim do exercício, e o GDF está em 23%.
O presidente da CEOF, deputado Eduardo Pedrosa (União Brasil), avaliou que os números são positivos. Ele disse que, de maio a agosto, a venda de bens rendeu cerca de R$ 1 bilhão, e que há indicativo de excesso de arrecadação no último quadrimestre. “Estamos chegando a quase 50% do saldo total previsto para investimentos no ano, que é de R$ 3,5 bilhões”, afirmou. A nota não registra manifestação de deputados de oposição na audiência.
Contexto
O DN já mostrou como a Secretaria de Economia centralizou o controle de gastos para conter o déficit de R$ 1,9 bilhão e como a Câmara Legislativa discute as prioridades do orçamento de 2027.
A íntegra da audiência está no canal da TV Câmara Distrital no YouTube, e a nota da CLDF traz a cobertura fotográfica no Flickr da Casa. O quadrimestre de setembro a dezembro fecha o ano orçamentário, e o resultado final aparece na prestação de contas do governo.