Governo central tem déficit de R$ 53,3 bi em maio, revela Tesouro
Tesouro Nacional informou déficit primário de R$ 53,3 bilhões no governo central em maio, pior resultado para o mês desde 2024 em valores corrigidos.
As contas do governo central fecharam maio com déficit primário de R$ 53,3 bilhões, informou o Tesouro Nacional nesta segunda-feira (29). O número reúne os resultados do Tesouro, da Previdência Social e do Banco Central, e é o pior para o mês desde 2024 em valores já corrigidos pela inflação.
Em maio de 2025, o rombo havia sido de R$ 40,2 bilhões. A piora veio porque as despesas cresceram em ritmo mais forte que a arrecadação.
No acumulado de janeiro a maio, o governo central registra déficit de R$ 44,4 bilhões. No mesmo intervalo de 2025, havia superávit de R$ 32,9 bilhões, o que mostra a virada no quadro fiscal ao longo de um ano.
Três grupos de gastos puxaram o resultado, segundo o Tesouro. Os benefícios previdenciários subiram R$ 42,7 bilhões. As despesas com pessoal e encargos avançaram R$ 19,2 bilhões. As sentenças judiciais de custeio e investimentos cresceram R$ 35,4 bilhões.
O dado tem peso direto em Brasília, sede da máquina federal e endereço de boa parte dos servidores afetados pela conta de pessoal. O desempenho das contas públicas também baliza a margem do governo para liberar recursos a programas, obras e repasses ao longo do segundo semestre.
A meta oficial para 2026 prevê superávit primário de cerca de R$ 34,3 bilhões, com banda de tolerância que admite resultado até zero. Considerando as exceções autorizadas em lei, como o pagamento de precatórios, a própria equipe econômica projeta encerrar o ano com déficit perto de R$ 60,3 bilhões.
O resultado primário mede a diferença entre receitas e despesas antes do pagamento dos juros da dívida. Quando fica negativo, indica que o governo gastou mais do que arrecadou no período, sem contar o custo do endividamento.
Analistas acompanham os números mensais para calibrar a expectativa sobre o cumprimento do arcabouço fiscal, regra que limita o avanço das despesas. Quanto mais distante a meta, maior a pressão por contenção de gastos ou por novas fontes de receita.
O Tesouro divulga o resultado a cada mês. O próximo balanço, referente a junho, sai no fim de julho e ajudará a confirmar se a deterioração observada em maio foi pontual ou se segue tendência no ano.