Economia

PMI industrial volta ao campo positivo e sobe a 50,8 pontos em junho

Indicador da S&P Global superou a marca de 50 pontos e voltou a apontar expansão da atividade fabril no país, apesar de demanda mais fraca.

A indústria brasileira voltou a operar em expansão em junho. O PMI (Índice de Gerentes de Compras) do setor industrial subiu de 49,1 pontos em maio para 50,8 pontos, segundo a S&P Global, que divulgou o resultado nesta quarta-feira, 1º de julho.

Leituras acima de 50 pontos indicam crescimento da atividade na comparação com o mês anterior. Foi a primeira vez em dois meses que o índice cruzou essa linha.

O avanço, porém, veio com ressalvas. A diretora associada de Economia da S&P Global, Pollyanna de Lima, afirmou que junho foi marcado por enfraquecimento da demanda, tanto interna quanto externa.

Houve queda tanto nos novos pedidos de exportação quanto nas vendas domésticas, o que reduziu a produção no período. De acordo com a consultoria, o PMI só registrou expansão porque as fábricas mantiveram a criação de vagas e a formação de estoques.

Os custos seguiram pressionando os orçamentos. A S&P Global apontou aumentos de preços em todos os segmentos pesquisados, com fabricantes repassando parte da alta e cortando gastos com compras diante de algumas das maiores elevações de custo em mais de quatro anos.

O resultado ajuda a compor o quadro do início do segundo semestre, período em que a atividade industrial dá sinais mistos. A geração de empregos e a reposição de estoques sustentaram o número de junho, mas o recuo dos pedidos acende alerta sobre os meses seguintes.

A pesquisa ouve executivos de compras de empresas de manufatura e mede variáveis como produção, novos pedidos, emprego, prazos de entrega e estoques. Cada componente é transformado em um índice, e a média ponderada resulta no PMI cheio.

O dado da indústria antecede a divulgação da produção física do setor pelo IBGE, prevista para 3 de julho, com os números fechados de maio. O PMI trabalha com a percepção das empresas no mês corrente, enquanto a pesquisa do IBGE mede a produção efetiva com defasagem.

Para o mercado, a combinação de atividade em leve alta e custos elevados reforça a leitura de uma indústria que cresce sem folga, ainda dependente da demanda para ganhar tração no restante do ano.

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