IGP-M recua 0,50% em junho e alivia reajuste de aluguel
Índice usado em contratos de aluguel caiu 0,50% em junho, após alta de 0,84% em maio, e acumula 3,16% em 12 meses, segundo a FGV.
O IGP-M caiu 0,50% em junho, informou a Fundação Getulio Vargas. O índice, usado como referência no reajuste da maioria dos contratos de aluguel no país, havia subido 0,84% em maio.
Com o resultado, o chamado índice do aluguel acumula alta de 3,27% no ano e de 3,16% em 12 meses. A taxa em um ano está bem abaixo dos 4,39% registrados no acumulado até junho de 2025.
A queda no mês tem efeito prático para o inquilino do Distrito Federal. Contratos cujo aniversário cai em julho passam a ser reajustados por uma variação de 12 meses mais baixa, o que reduz o tamanho do aumento na conta da moradia.
A composição do índice ajuda a explicar a deflação no mês. O Índice de Preços ao Produtor Amplo, que mede o atacado e responde pela maior fatia do cálculo, recuou 0,97% em junho.
Na contramão, o Índice Nacional de Custo da Construção subiu 0,85%, pressionado pelos custos do setor. O terceiro componente acompanha os preços ao consumidor.
O IGP-M é sensível ao comportamento de commodities e à cotação do dólar, porque o atacado pesa muito no resultado. Quando os preços no produtor cedem, o índice tende a recuar mesmo com a inflação ao consumidor ainda resistente.
Essa diferença ajuda a entender por que o IGP-M e o IPCA, índice oficial da inflação, podem apontar direções distintas no mesmo período. O IPCA segue projetado acima de 5% para 2026, enquanto o índice do aluguel desacelera.
Para quem vai renovar contrato, a recomendação dos especialistas é checar qual índice está previsto no documento. Boa parte dos aluguéis residenciais e comerciais usa o IGP-M, mas alguns contratos já adotam o IPCA como referência.
A FGV calcula e divulga o IGP-M todo fim de mês. O índice reúne as variações de preços medidas entre o dia 21 do mês anterior e o dia 20 do mês de referência.
O número de junho fecha o primeiro semestre com pressão menor sobre os contratos. O próximo resultado, de julho, vai indicar se a desaceleração do atacado tem fôlego para seguir segurando os reajustes no segundo semestre.