Economia

Inadimplência no crédito livre sobe a 6,2% em maio, diz Banco Central

Taxa de atraso nas operações de crédito livre subiu na comparação com abril, com alta puxada pelo endividamento das famílias, segundo o Banco Central.

A inadimplência média nas operações de crédito livre subiu para 6,2% em maio, ante 6,1% em abril, informou o Banco Central nesta quarta-feira, 1º de julho.

O crédito livre reúne as operações em que bancos e clientes negociam taxas e prazos sem direcionamento obrigatório de recursos. É a modalidade mais sensível ao ciclo de juros e à renda das famílias.

Entre as pessoas físicas, a taxa de atraso passou de 7,4% para 7,6%. No caso das empresas, subiu de 4,0% para 4,1%. Os dados de abril foram revisados pela autoridade monetária.

No crédito direcionado, que utiliza recursos da poupança e do BNDES, a inadimplência avançou de 2,7% para 2,8% entre abril e maio.

Considerando o total do crédito, que soma as operações livres e direcionadas, a taxa passou de 4,6% para 4,7%.

O indicador mede a parcela da carteira com atrasos superiores a 90 dias. É um dos termômetros da saúde financeira de famílias e empresas e ajuda a antecipar o comportamento do consumo.

A alta ocorre em um ambiente de juros ainda altos, que encarece o custo do crédito e pressiona o orçamento de quem tem dívidas. A remuneração dos empréstimos acompanha, em boa parte, o patamar da taxa básica.

O aumento entre as famílias chama atenção por concentrar a maior parte do endividamento. Cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal costumam registrar as taxas de juros mais elevadas do mercado.

Os números integram as estatísticas monetárias e de crédito divulgadas mensalmente pelo Banco Central. O relatório também acompanha a evolução do saldo de crédito, das taxas médias de juros e do endividamento das famílias.

Para analistas, a trajetória da inadimplência é acompanhada de perto porque afeta a disposição dos bancos em conceder novos empréstimos. Quanto maior o risco de calote, mais cautelosa tende a ficar a oferta de crédito.

O dado reforça o quadro de um consumidor pressionado, mesmo com o mercado de trabalho ainda aquecido. A combinação de renda em recuperação e custo do crédito elevado mantém o tema no radar das autoridades econômicas.

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