Economia

Petrobras lucra R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre, alta de 97%

Estatal aprovou R$ 17,4 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio; produção de óleo bateu recorde no pré-sal

A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 97% na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo o balanço divulgado pela companhia nesta quinta-feira (6). O resultado é um dos maiores da série histórica da estatal e superou a projeção do mercado, que estimava algo próximo de R$ 50,8 bilhões.

Em dólar, o lucro somou US$ 10,4 bilhões. Descontados os eventos não recorrentes, o resultado sobe para R$ 55,8 bilhões. A receita líquida do trimestre foi de R$ 169,5 bilhões e o Ebitda ajustado, indicador que mede a geração operacional de caixa, chegou a R$ 93,8 bilhões.

O conselho de administração aprovou R$ 17,4 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio referentes ao período. O fluxo de caixa operacional somou R$ 61,8 bilhões, avanço de 46% em doze meses.

Produção e refino puxaram o resultado

Os números operacionais explicam boa parte do salto. A produção própria de petróleo no país chegou a 2,7 milhões de barris por dia, 15% acima do segundo trimestre de 2025. A produção operada total alcançou 4,87 milhões de barris de óleo equivalente por dia, recorde da companhia, e o pré-sal respondeu por 2,78 milhões de barris equivalentes diários, também o maior patamar já registrado.

No refino, o fator de utilização das unidades ficou em 101%, o melhor resultado trimestral da estatal. A produção de derivados somou 1,9 milhão de barris por dia, crescimento de 5,6% em relação ao primeiro trimestre deste ano. Dois produtos bateram recorde: o diesel S10, com 509 mil barris diários, e o querosene de aviação, com 109 mil barris por dia. As exportações ficaram perto de 1 milhão de barris diários.

"Os recordes operacionais que alcançamos neste segundo trimestre nos levaram a um dos maiores resultados financeiros trimestrais da série histórica da Petrobras", afirmou Fernando Melgarejo, diretor financeiro e de relacionamento com investidores da companhia.

Investimento, dívida e o que vai para o governo

Os investimentos do trimestre somaram R$ 26,7 bilhões, o equivalente a US$ 5,3 bilhões, com 82% do total direcionados à área de exploração e produção. A dívida bruta fechou o período em US$ 70,8 bilhões, ainda acima da meta de convergência de US$ 65 bilhões estabelecida pela empresa.

O recolhimento de tributos federais, estaduais e municipais somado às participações governamentais alcançou R$ 88,6 bilhões no trimestre, cerca de R$ 22 bilhões a mais que no mesmo período de 2025. Parte desse valor chega aos estados e municípios produtores na forma de royalties e participações especiais, e outra parte abastece o caixa da União.

Para Brasília, o balanço tem efeito indireto e imediato. A Petrobras é a maior pagadora de dividendos ao Tesouro Nacional, acionista controlador da companhia, e o volume de proventos aprovado no trimestre entra na conta que o governo federal usa para fechar as metas fiscais do ano. A empresa também mantém sede administrativa na capital federal e é um dos principais interlocutores da agenda energética que tramita no Congresso Nacional.

Os resultados foram divulgados após o fechamento do pregão e detalhados em teleconferência com analistas nesta sexta-feira (7).

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