Economia

Petrobras fecha contrato de 22 anos para comprar gás dos EUA e chega a 1,6 milhão de toneladas

A estatal comprará 0,8 milhão de toneladas de GNL por ano da Cheniere por 22 anos. Veja os números dos dois contratos e o que muda no preço do gás.

Neste texto5 tópicos
  1. O que a Petrobras ganha ao fechar por 22 anos
  2. Quem é a Cheniere e por que o nome importa
  3. Como ficam os dois contratos, lado a lado
  4. O que isso muda para quem paga a conta de gás
  5. O que acompanhar daqui para a frente

A Petrobras assinou um contrato de 22 anos para comprar gás natural liquefeito da norte-americana Cheniere Marketing, LLC. O anúncio saiu nesta terça-feira, 29 de setembro, na Agência Petrobras, e prevê a compra de 0,8 milhão de toneladas por ano de GNL.

É o segundo acordo do tipo fechado pela estatal em pouco mais de um mês. No fim de agosto, a companhia já havia assinado contrato de 20 anos com a Sempra Infrastructure, também de 0,8 milhão de toneladas anuais, com carregamento a partir do terminal de liquefação de Port Arthur, no Texas. Somados, os dois contratos travam 1,6 milhão de toneladas de GNL por ano vindas dos Estados Unidos por pelo menos duas décadas.

Gráfico de barras comparando a duração dos dois contratos de GNL da Petrobras em 2026: Cheniere, 22 anos, e Sempra, 20 anos, ambos de 0,8 milhão de toneladas por ano
Os dois contratos de longo prazo assinados em 2026 somam 1,6 milhão de toneladas de GNL por anoArte: DistritoNews, com dados da Agência Petrobras

O que a Petrobras ganha ao fechar por 22 anos

A própria empresa explica a lógica na nota: comprar volume garantido no longo prazo reduz a exposição ao mercado spot, onde o preço do GNL oscila carga a carga. "A contratação de volumes de longo prazo reflete a estratégia da Petrobras de reduzir a exposição à volatilidade do mercado spot de GNL, fortalece a gestão de riscos do portfólio de gás natural e amplia a flexibilidade e segurança para atender aos contratos", diz o texto oficial.

Na prática, a estatal passa a ter um volume previsível chegando aos terminais de regaseificação brasileiros, entre eles o da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Esse gás alimenta a rede de distribuição e as térmicas acionadas quando os reservatórios das hidrelétricas caem.

Quem é a Cheniere e por que o nome importa

A Cheniere Energy, Inc., controladora da Cheniere Marketing, é a maior produtora e exportadora de GNL dos Estados Unidos. Segundo a Petrobras, a companhia opera os terminais de Sabine Pass, na Luisiana, e de Corpus Christi, no Texas, com capacidade total de liquefação em operação de aproximadamente 56 milhões de toneladas por ano. O volume contratado pela estatal brasileira equivale a cerca de 1,4% dessa capacidade.

A empresa é listada na Bolsa de Nova York com o código LNG. A Sempra Infrastructure, do outro contrato, é subsidiária da Sempra, negociada sob o código SRE.

Como ficam os dois contratos, lado a lado

  • Cheniere Marketing, LLC: 0,8 milhão de toneladas por ano, 22 anos, anunciado em 29 de setembro de 2026.
  • Sempra Infrastructure: 0,8 milhão de toneladas por ano, 20 anos, assinado no fim de agosto de 2026, com suprimento do terminal de Port Arthur, no Texas.
  • Soma: 1,6 milhão de toneladas por ano de GNL contratadas em regime de longo prazo com fornecedores norte-americanos.

A nota da Cheniere não informa o valor do contrato nem a data de início dos carregamentos. A da Sempra também não traz preço. A Petrobras não divulgou o custo por milhão de BTU em nenhum dos dois casos.

O que isso muda para quem paga a conta de gás

Nada muda de imediato na tarifa. O efeito de um contrato de suprimento aparece na ponta do preço médio do gás vendido às distribuidoras, e depende do que a Petrobras fizer com esse volume na renovação dos contratos com o mercado. A companhia vem se movimentando nessa direção em outras frentes: em julho, o Conselho Nacional de Política Energética liberou a estatal a usar gasodutos de terceiros para tentar baratear o gás da indústria.

O gás importado como GNL chega por navio, é regaseificado no terminal e entra na malha. É o caminho mais caro e mais flexível de abastecer o país, e o que o Brasil usa quando a produção doméstica do pré-sal não dá conta do pico de demanda. O balanço financeiro mais recente da estatal mostra o tamanho da máquina que faz essa conta: a Petrobras lucrou R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre de 2026.

O que acompanhar daqui para a frente

A estatal não informou quando o primeiro carregamento da Cheniere chega ao Brasil nem se haverá novos contratos de longo prazo com outros fornecedores. As duas notas oficiais estão publicadas na Agência Petrobras, canal oficial da companhia para a imprensa, e é ali que sai a informação sobre prazos e volumes. Fatos relevantes com efeito sobre acionistas são divulgados à Comissão de Valores Mobiliários.

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