Economia

PF aponta ex-sócio do Master como articulador de fraude de R$ 12 bi no BRB

Relatório da Operação Compliance Zero descreve o papel de Augusto Lima na transferência de carteiras de crédito ao banco do GDF; defesa nega

Um relatório da Polícia Federal aponta o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master, como articulador de operações de crédito fraudulentas de cerca de R$ 12 bilhões envolvendo o BRB, banco controlado pelo Governo do Distrito Federal. A informação foi divulgada neste domingo (14) pela Gazeta do Povo, que teve acesso ao documento produzido no âmbito da Operação Compliance Zero.

Segundo o relatório, Lima exerceu influência direta nas operações em que carteiras de crédito saíam do Master e iam para o BRB. A PF descreve a gestão de documentos e contratos usados nessas transferências e afirma que ele determinou que amostras de créditos não fossem enviadas para fiscalização.

Procurada pela Gazeta do Povo, a defesa de Augusto Lima negou irregularidades e afirmou que as acusações se apoiam em informações desatualizadas. O empresário deixou formalmente a sociedade do Banco Master em maio de 2024. O BRB não divulgou manifestação sobre o conteúdo do relatório.

Por que o caso interessa a quem mora no DF

O BRB não é um banco privado qualquer. É instituição financeira controlada pelo GDF, com o Distrito Federal como acionista majoritário, e seu resultado entra na conta do Tesouro distrital. Qualquer perda relevante na carteira de crédito do banco tem efeito direto sobre o orçamento que banca saúde, educação e segurança no DF.

A relação entre o BRB e o Banco Master é objeto de investigação e de disputa judicial há meses. Em agosto, a Polícia Federal pediu mais 60 dias de prazo e ampliou o alcance da apuração sobre diretores do banco de Brasília. No mesmo período, o Tribunal de Contas do DF travou a apreciação das contas do ex-governador Ibaneis Rocha e cobrou explicações sobre o balanço da instituição.

O que o relatório descreve sobre a rede de contatos

O documento da PF também registra o volume de comunicação entre Lima e outras figuras ligadas ao caso. Foram contabilizadas 74 ligações telefônicas com o ex-ministro Jaques Wagner, somando mais de cinco horas de conversa entre o fim de 2023 e meados de 2025.

A Operação Compliance Zero apura a atuação do grupo liderado por Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, preso em novembro de 2025 e investigado como responsável pela maior fraude ao Sistema Financeiro Nacional. O mesmo conjunto de investigações produziu, neste mês, o relatório que chegou ao plenário do Supremo Tribunal Federal e motivou o julgamento sobre a abertura de inquérito contra o ministro Alexandre de Moraes.

Indício apontado em relatório policial não equivale a acusação formal. Até a publicação desta reportagem, o Ministério Público Federal não havia oferecido denúncia contra Augusto Lima pelos fatos descritos no documento.

Leia também: PF pede mais 60 dias e amplia investigação sobre diretores do BRB.

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