Campo de Tupi chega a 4 bilhões de barris e responde por 36% da Petrobras
Primeiro sistema do pré-sal a produzir comercialmente, em 2010, o ativo da Bacia de Santos reúne nove plataformas e ultrapassou 1 milhão de barris por dia em 2026
A Petrobras informou nesta quinta-feira (13) que o ativo de Tupi, no pré-sal da Bacia de Santos, alcançou a marca de 4 bilhões de barris de óleo equivalente produzidos. É a primeira vez que um ativo da companhia chega a esse volume.
O ativo é formado por dois campos de petróleo, Tupi e Cernambi, e foi o primeiro sistema do pré-sal a entrar em produção comercial, em 2010. Segundo a estatal, a média de produção superou 1 milhão de barris de óleo por dia em mais de uma ocasião ao longo de 2026.
Tupi responde hoje por 36% de toda a produção da Petrobras. A concentração explica por que oscilações operacionais nesse único ativo têm efeito direto sobre o resultado trimestral da companhia e sobre a arrecadação de royalties distribuída a União, estados e municípios.
Quem opera e como é a estrutura
A Petrobras é a operadora do ativo, em consórcio com a anglo-holandesa Shell e a portuguesa Petrogal. Participa também a Pré-Sal Petróleo (PPSA), estatal brasileira responsável por recolher barris em nome da União nos contratos de partilha.
A produção é feita por nove plataformas: P-66, P-67, P-69 e as unidades Cidade de Itaguaí, Cidade de Angra dos Reis, Cidade de Maricá, Cidade de Paraty, Cidade de Mangaratiba e Cidade de Saquarema.
A marca é medida em barris de óleo equivalente, unidade que soma o petróleo produzido ao gás natural convertido em volume correspondente de óleo. Por isso o número acumulado do ativo é maior do que a soma apenas do petróleo extraído.
A diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, afirmou que o pré-sal "inaugurou uma nova era para a indústria petrolífera mundial".
A operação em consórcio é a regra no pré-sal. Cada sócio entra com parcela do investimento e recebe fatia correspondente da produção, enquanto a operadora responde pela condução técnica das unidades. Nos contratos de partilha, a União fica com um percentual do óleo, administrado pela PPSA.
Por que isso interessa a quem mora em Brasília
As decisões que moldam o setor são tomadas na capital. O Conselho Nacional de Política Energética, o Ministério de Minas e Energia e a Agência Nacional do Petróleo funcionam em Brasília, e é aqui que se definem os leilões de blocos, os contratos de partilha e as regras de distribuição de royalties.
A produção do pré-sal também alimenta a discussão orçamentária que se decide na capital. Royalties e participações especiais entram no cálculo da receita federal repartida com estados e municípios, e a distribuição desses recursos é tema recorrente de disputa no Congresso.
A marca de Tupi chega no mesmo mês em que a companhia divulgou lucro de R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre. O Distrito News mostrou os números do balanço e dos dividendos recordes e a assinatura dos contratos de cinco blocos do pré-sal na terceira oferta permanente.
Tupi foi o ponto de partida da exploração comercial da camada pré-sal, que fica sob uma espessa faixa de sal no fundo do mar e exigiu tecnologia própria de perfuração e escoamento. Desde a entrada em operação, em 2010, o ativo recebeu novas unidades de produção até chegar às nove atuais, o que explica o salto de volume acumulado.