MEC reúne denúncias de violência política em escolas federais e envia à PF e à AGU
Ministério não informou quantas denúncias já recebeu; casos em escolas do DF vão para a Polícia Civil
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O Ministério da Educação (MEC) passou a reunir denúncias de violência política ocorrida em instituições federais de ensino durante e depois das eleições gerais de 2026 e vai encaminhá-las à Polícia Federal (PF) e à Advocacia-Geral da União (AGU). A informação foi divulgada neste domingo (1º) pela Agência Brasil.
As denúncias chegam pela ouvidoria do ministério ou diretamente das universidades e dos institutos federais. Como as investigações seguem em andamento, o MEC afirma que novos casos serão acrescentados ao processo.
Por que o MEC abriu o levantamento
A iniciativa foi motivada por ameaças contra universidades federais, estudantes e docentes que circularam nas redes sociais antes do primeiro turno, em 4 de outubro. Na ocasião, o ministério pediu investigação à PF e acionou a AGU para as medidas jurídicas cabíveis.
Em nota, o MEC disse ter pedido providências "diante da gravidade das ameaças de violência e de destruição patrimonial, além da utilização de símbolos nazistas contra as universidades federais, estudantes e docentes reportadas".
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, já havia dito à Agência Brasil, em visita à Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que a pasta tinha "uma preocupação grande de que essa violência escale". A visita aconteceu depois do terceiro incêndio em oito dias na UFPE, que a PF investiga em inquérito. A origem de cada um dos fogos seguia em apuração, e o reitor disse não haver, até então, informação sobre relação entre eles.
O que o ministério diz
No informativo, o MEC repudia qualquer tipo de ameaça, ofensa ou discriminação no ambiente estudantil e acadêmico, seja qual for a motivação. O texto afirma: "O MEC reforça que as instituições de ensino devem ser, por essência, espaços plurais, de tolerância, diálogo e respeito à diversidade de ideias."
O ministério também cita a Constituição Federal, que garante o direito à liberdade de expressão e de pensamento, e afirma que esses princípios sustentam a consolidação da democracia brasileira.
A nota não informa quantas denúncias o MEC já recebeu nem de quais instituições vieram. A Agência Brasil não detalha o prazo de envio à PF e à AGU.
E nas escolas do Distrito Federal
O canal do MEC trata de instituições federais. Casos em escolas do DF seguem outro caminho: ameaça de morte é crime, e o registro pode ser feito em qualquer delegacia da Polícia Civil do DF ou pela delegacia eletrônica. O DistritoNews mostrou o caso de um estudante de 17 anos ameaçado de morte em grupo de WhatsApp por causa do voto, em escola do DF, cuja família não havia registrado ocorrência até o relato à Agência Brasil.
O próximo passo está com a PF e a AGU, que devem receber as denúncias reunidas pelo MEC. Quem for vítima ou testemunha de ameaça em instituição federal pode procurar a ouvidoria do ministério; em caso de risco imediato, o telefone da polícia é o 190.