Educação

Aluno é ameaçado de morte no DF por voto em Lula; família não registrou ocorrência

Adolescente de 17 anos recebeu áudio em grupo de WhatsApp da turma; autor foi transferido, segundo a mãe

Neste texto4 tópicos
  1. O que dizem os áudios
  2. O que a escola fez e o que a família não fez
  3. Não é um caso isolado
  4. Onde denunciar

Um estudante de 17 anos de uma escola do Distrito Federal recebeu uma ameaça de morte em um grupo de WhatsApp da turma por causa do voto na eleição presidencial. O caso foi relatado pela Agência Brasil neste sábado (31), com base em áudios a que a reportagem teve acesso e no relato da mãe do adolescente.

A família pediu que os nomes não fossem divulgados. A reportagem usou nomes fictícios, e o DistritoNews não identifica o estudante, a mãe nem a escola.

O que dizem os áudios

A mensagem de ameaça foi enviada durante a apuração dos votos, quando o candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou à frente. Em um dos áudios, o autor afirma que o colega não voltaria vivo à escola no dia seguinte. Antes da ameaça, o mesmo estudante o ofende por ter votado em Lula.

Segundo a Agência Brasil, o mesmo aluno escreveu no grupo que, se o candidato Flávio Bolsonaro (PL) perdesse, espancaria outros cinco colegas, "só na faca". Outro adolescente curtiu as mensagens e respondeu com figurinhas de risada. Os áudios também trazem ofensas de intolerância religiosa.

A vítima é um adolescente transgênero. A mãe disse que ele nunca havia sofrido transfobia na escola e que a família se surpreendeu com o ódio por motivo político.

O que a escola fez e o que a família não fez

De acordo com a mãe, a direção informou que o aluno autor dos áudios foi transferido de escola e que o colega que concordou com as mensagens foi suspenso por quatro dias. O adolescente ameaçado passou a semana sem ir às aulas e teme voltar na segunda-feira (2).

Até o momento do relato, a família não registrou boletim de ocorrência. Ela disse temer que o filho seja exposto ou sofra retaliações. A reportagem da Agência Brasil não informa se a Secretaria de Educação do DF ou a Polícia Civil foram acionadas. Nenhum dos dois órgãos tem posicionamento citado no texto original.

Não é um caso isolado

Em reportagem complementar, a agência registrou outros episódios de violência escolar ligados à eleição. No Distrito Federal, um estudante de 16 anos contou que passou a ser perseguido na escola depois de dizer que votaria em Flávio Bolsonaro, e chegou a trocar de colégio. Há registros em Santa Catarina, onde dois estudantes agrediram colegas que vestiam vermelho, e em Minas Gerais, onde universitários ofenderam colegas bolsistas que votaram em Lula.

Os dois casos do DF têm lados políticos opostos e o mesmo desfecho: adolescentes que deixaram de frequentar a escola ou tiveram de mudar de colégio.

A mãe do estudante ameaçado atribuiu o episódio ao clima político. "Os adultos não conseguem lidar com as frustrações e ficam violentos e os jovens acabam absorvendo isso", disse, segundo a reportagem.

Onde denunciar

Ameaça de morte é crime, e o registro pode ser feito em qualquer delegacia da Polícia Civil do DF ou pela delegacia eletrônica. Em caso de risco imediato, o telefone é o 190. O Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, recebe denúncias de violência contra crianças e adolescentes.

Quem acompanha a política de Brasília encontra outros desdobramentos do pós-eleição na agenda do Congresso até dezembro e na votação da PEC da Segurança, marcada para terça-feira (3).

A íntegra da reportagem está na Agência Brasil; o caso do estudante de 16 anos está em outra reportagem da agência.