Politica

Cappelli diz que PT impôs candidatura própria ao GDF e não abriu mão

Candidato do PSB afirmou em evento da Amcham Brasil que a divisão da esquerda é um erro, mas não descartou aliança com Leandro Grass no segundo turno

O candidato do PSB ao Governo do Distrito Federal, Ricardo Cappelli, afirmou que o PT impôs uma candidatura própria à disputa pelo Palácio do Buriti e não recuou da posição, inviabilizando a chapa única da esquerda no DF. A declaração foi dada em evento da Amcham Brasil, na sexta-feira (7/8), em Brasília.

"Nós lutamos muito para construir uma unidade no campo. Não foi possível. Respeito a posição do PT, mas acho que é um erro, porque o PT, desde o início, impôs e não abriu mão", disse Cappelli, conforme a coluna Grande Angular, do Metrópoles, que registrou o evento.

Apesar da avaliação, o candidato manteve a porta aberta para as fases seguintes da eleição. "Vamos separados no primeiro turno, quem sabe no segundo podemos estar juntos", afirmou. A frase reconhece o cenário mais provável para o campo: chegar dividido ao dia da votação e negociar apoio depois da apuração.

Como a esquerda chegou dividida

A convenção do PSB oficializou Cappelli como candidato ao GDF em 3 de agosto. O partido chegou a oferecer a vaga de vice a Leandro Grass, que recusou. Dias depois, a federação formada por PT, PV e PCdoB confirmou Grass como candidato ao Buriti, encerrando a negociação por uma candidatura única.

Cappelli é ex-secretário-executivo do Ministério da Justiça e foi interventor federal na segurança pública do DF após os atos de 8 de janeiro de 2023. Grass foi deputado distrital e presidiu o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Os dois disputam o mesmo eleitorado nas regiões administrativas de menor renda.

O que a divisão significa na prática

Uma candidatura única concentraria em um só nome o tempo de televisão, o fundo eleitoral e a estrutura de palanque dos partidos envolvidos. Divididos, PSB e a federação de PT, PV e PCdoB disputam o mesmo espaço no horário eleitoral gratuito e dividem o eleitorado que rejeita a atual gestão.

Há também o efeito inverso, que Cappelli deixou implícito ao falar em segundo turno. Duas candidaturas ampliam o alcance de temas do campo em cidades diferentes e aumentam a chance estatística de que uma delas alcance a segunda posição na apuração. A aposta depende de o conjunto somar votos suficientes para levar a disputa a um segundo turno.

Mobilidade foi o outro tema do encontro

No mesmo evento da Amcham, Cappelli tratou do desenho urbano da capital. Ele afirmou que o modelo de cidade de Brasília é insustentável e usou uma imagem para descrever o problema: "É uma cidade sanfona. Todo mundo sai e vem trabalhar no centro".

Na sequência, deslocou o diagnóstico do transporte para o uso do solo. "O primeiro desafio não está relacionado ao transporte, mas a criar outros polos de desenvolvimento na cidade", disse. O argumento é que a rede de ônibus e metrô só deixa de convergir para o Plano Piloto quando houver emprego fora dele.

O que vem pela frente

Cappelli e Grass voltaram a se encontrar no domingo (9/8), no primeiro debate televisionado da disputa, promovido pela Band no Teatro do Sesc de Ceilândia, com os seis candidatos ao Buriti. A sabatina do Correio Braziliense com os concorrentes está marcada para esta terça-feira (11/8), às 8h.

O registro das candidaturas segue o calendário do Tribunal Superior Eleitoral, e a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão começa no fim de agosto. Até lá, a definição prática para o campo de esquerda é se a divisão do primeiro turno vira soma ou desgaste.

Leia também: o que Leandro Grass disse no mesmo evento da Amcham.

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