Política

Comitê da Meta aponta falhas recorrentes e cita regra antifraude aplicada às contas de Lula

Órgão independente da empresa também critica a remoção da conta No Kings nos EUA e cobra indicadores públicos de proteção eleitoral

O Comitê de Supervisão da Meta afirmou nesta terça-feira (20) que há "falhas recorrentes" nas medidas da empresa para proteger a integridade das eleições e citou as contas de anúncios do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), atingidas por regras antifraude.

A declaração foi assinada pelos copresidentes do órgão e está na página do próprio comitê. O texto também trata da eleição brasileira, do segundo turno marcado para domingo (25), e das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.

O que o comitê diz sobre as contas de Lula

Segundo a tradução da Agência Brasil, o comitê escreveu que "a aplicação excessivamente rigorosa das políticas antifraude da Meta às contas de anúncios do presidente do Brasil" representa "uma falha que deveria ter sido encaminhada a uma equipe interna de especialistas responsáveis pela análise de casos".

O comitê descreve dois tipos de erro em períodos de tensão política: o excesso, que suprime discurso político, e a falta de aplicação, que compromete a integridade da eleição. O caso de Lula entra no primeiro grupo.

O outro exemplo é a conta "No Kings", usada em protestos nos Estados Unidos, que a Meta removeu por engano. Para os copresidentes, o erro deveria ter sido barrado pelos sistemas de prevenção de falhas, e não está claro por que a conta ficou fora do programa de verificação cruzada, que garante revisão humana antes de decisões que afetam entidades cívicas importantes.

O órgão lembra que, depois da eleição presidencial brasileira de 2022, pediu à Meta uma estrutura mensurável para avaliar a proteção eleitoral, com indicadores públicos. A empresa cita números gerais, como anúncios armazenados e contas removidas, mas não mede a eficácia nem as lacunas das regras. "Isso precisa mudar", diz o comitê, na tradução da agência.

Como o caso chegou ao TSE

O ministro Marco Aurélio Bellizze, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), deu prazo para a Meta explicar como garante tratamento igual às duas candidaturas do segundo turno, a pedido da coligação de Lula, que reclamou de favorecimento a publicações de Flávio Bolsonaro (PL). Na segunda-feira (19), a empresa respondeu ao tribunal que os conteúdos das duas candidaturas "são tratados de forma igual e não discriminatória", segundo a Agência Brasil. O DistritoNews detalhou a resposta, incluindo as 720 publicações removidas.

No mesmo dia, manifestantes protestaram em São Paulo, perto das sedes da Meta e do Google, com o lema "Meta, não se meta". Na terça, a Meta também recusou criar um canal de proteção a jornalistas pedido pelo Ministério da Justiça, segundo a Agência Brasil.

A Agência Brasil não registra comentário da Meta sobre a declaração do comitê. A manifestação da empresa ao TSE está nos autos da ação, e o tribunal ainda não anunciou nova decisão sobre o caso.