Horário eleitoral ajuda o indeciso, diz cientista político da Uerj
Pesquisador cita levantamento em que 68% dos eleitores diziam que iam acompanhar a propaganda no rádio e na TV; veiculação vai até 1º de outubro
O horário eleitoral gratuito no rádio e na TV está cumprindo o papel de municiar quem ainda não decidiu o voto, avaliou o cientista político João Feres, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, em entrevista à Rádio Câmara publicada nesta segunda-feira, 15.
Ele citou levantamento BTG/Nexus segundo o qual 68% dos eleitores pretendiam acompanhar a propaganda em rádio e televisão nesta eleição.
"São pessoas que estão buscando informação política para decidir o voto. Isso é importante porque mostra que o horário eleitoral está cumprindo seu papel principal", disse João Feres.
O pesquisador fez uma ressalva sobre o formato. Segundo ele, o bloco produzido pelas campanhas tende a mostrar uma versão suavizada dos candidatos.
"Geralmente, os candidatos tendem a aparecer mais bonzinhos no horário eleitoral gratuito", afirmou.
Quando o brasiliense vê governador e distrital
A propaganda gratuita no rádio e na TV começou em 28 de agosto e vai até 1º de outubro, três dias antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. A veiculação é de segunda a sábado.
A divisão por cargo segue o calendário do Tribunal Superior Eleitoral:
- Segundas, quartas e sextas: governador, senador e deputado distrital;
- Terças, quintas e sábados: presidente e deputado federal.
Os horários são fixos. No rádio, os blocos vão ao ar das 7h às 7h25 e das 12h às 12h25. Na televisão, das 13h às 13h25 e das 20h30 às 20h55. São 50 minutos diários por veículo, divididos em dois blocos de 25 minutos.
Nos dias de governador, o tempo é repartido entre nove minutos para candidatos ao governo, nove minutos para deputado distrital e sete minutos para o Senado, ampliados nesta eleição porque a renovação é de dois terços da Casa.
As inserções contam separado
Além dos blocos, as campanhas têm direito a inserções de 30 e de 60 segundos distribuídas ao longo da programação, fora dos horários fixos. É o formato que aparece no meio do jornal, da novela ou do programa de rádio, e que costuma ter alcance maior justamente por pegar quem não sintoniza de propósito.
Por que o bloco ainda pesa
O horário eleitoral gratuito é veiculação obrigatória em emissoras de rádio e TV aberta, e as empresas são compensadas por renúncia fiscal. O tempo de cada candidatura não é igual: a maior parte é distribuída conforme o tamanho das bancadas dos partidos e federações na Câmara dos Deputados, o que dá vantagem a quem tem estrutura partidária maior.
Esse desenho explica a permanência do formato mesmo com a migração da campanha para redes sociais. É o espaço em que uma candidatura de baixa verba ainda alcança o eleitor que não a procuraria na internet, e é também onde vale a regra de veracidade fiscalizada pela Justiça Eleitoral, com direito de resposta em caso de acusação sem prova.
O que já está valendo no DF
O eleitor do Distrito Federal escolhe em outubro governador, dois senadores, deputados federais e deputados distritais. O voto para o Senado é duplo nesta eleição, e a ordem de digitação na urna segue regra própria.
Em agosto, o TRE-DF sorteou a ordem de veiculação da propaganda e alertou para o uso de inteligência artificial na campanha, tema regulado por resolução do TSE que exige rotulagem de conteúdo gerado artificialmente.
Reta final
Com a votação marcada para 4 de outubro, restam pouco mais de duas semanas de propaganda em bloco. Se houver segundo turno para o governo do DF ou para a Presidência, o horário eleitoral volta ao ar de 9 a 23 de outubro.