Israel confirma eleições para 27 de outubro após guerra em três frentes
Coalizão de Netanyahu mantém a data prevista em lei e Parlamento completa mandato de quatro anos pela primeira vez desde 1988
Israel vai às urnas em 27 de outubro. O líder da coalizão de governo, Ofir Katz, confirmou no domingo (12), em comissão parlamentar, que a data prevista em lei será mantida, encerrando meses de especulação sobre uma possível antecipação do pleito.
Será a primeira eleição israelense desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 e desde as guerras que se seguiram em Gaza, no Líbano e contra o Irã. A votação define a nova composição do Knesset, o Parlamento do país, e o futuro político do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
A data original de 27 de outubro, estabelecida por lei, será mantida, afirmou Ofir Katz a uma comissão do Parlamento, segundo a Agência Brasil.
Mandato completo, algo raro em Israel
O anúncio tem um dado incomum: o Knesset atual completa nesta sexta-feira (17) os quatro anos de mandato. De acordo com a imprensa israelense, é a primeira vez desde 1988 que o Parlamento chega ao fim do período sem dissolução antecipada, em um país acostumado a ciclos eleitorais interrompidos.
Em maio, o próprio Parlamento chegou a votar temas ligados à dissolução, o que alimentou a expectativa de eleição antecipada. A coalizão preferiu segurar o calendário e cumprir o mandato até o fim.
Netanyahu chega pressionado à disputa
As pesquisas indicam desgaste do bloco governista, formado pelo Likud, de Netanyahu, e por partidos nacionalistas e religiosos como Shas, Judaísmo Unido da Torá, Sionismo Religioso e Otzma Yehudit. Levantamentos divulgados pela imprensa israelense apontam cerca de 54 das 120 cadeiras para a atual coalizão, abaixo das 61 necessárias para a maioria.
Pesam contra o premiê a falha de segurança no ataque de 2023 e a insatisfação de parte do eleitorado com o desfecho da guerra contra o Irã. A oposição, por outro lado, ainda não apresentou um caminho claro para formar governo, o que mantém o resultado em aberto.
O sistema israelense é proporcional puro: o eleitor vota em listas partidárias, e as 120 cadeiras do Knesset são distribuídas entre as legendas que superam a cláusula de barreira de 3,25% dos votos. Nenhum partido jamais conquistou maioria sozinho, o que torna as negociações de coalizão o verdadeiro segundo turno da política do país.
O cenário eleitoral israelense inclui:
- Eleição marcada para 27 de outubro de 2026, conforme a lei;
- 120 cadeiras do Knesset em disputa, com 61 para a maioria;
- Coalizão atual com cerca de 54 cadeiras nas pesquisas recentes;
- Primeiro pleito desde o 7 de outubro de 2023 e as guerras em três frentes.
Por que isso importa para o Brasil
O resultado em Israel afeta diretamente os temas que passam por Brasília: a posição brasileira no Oriente Médio, os votos do Itamaraty na ONU e a relação bilateral, estremecida desde o início da guerra em Gaza. O DistritoNews acompanha a série de desdobramentos na região, do cessar-fogo entre Israel e Irã à dissolução do governo do Hamas em Gaza.
Até outubro, a disputa deve concentrar o debate israelense na reconstrução da segurança, na economia do pós-guerra e na permanência ou não de Netanyahu, o político que há mais tempo ocupa o cargo de primeiro-ministro na história do país.