Jornalista que mora em Brasília é deportado da Argentina e fica cinco anos proibido de voltar
Rogério Tomaz Jr., que mora em Brasília, foi barrado em Buenos Aires e não poderá entrar na Argentina por cinco anos. SJPDF e Fenaj repudiam.
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O jornalista Rogério Tomaz Jr., morador de Brasília, voltou ao Distrito Federal na tarde desta segunda-feira (12) depois de ser deportado da Argentina. Ele desembarcou no Aeroparque, em Buenos Aires, e foi informado de que a residência permanente que tinha desde 2022 havia sido cancelada. Também recebeu uma proibição de entrada no país por cinco anos.
O caso foi noticiado pela Agência Brasil, com base em documentos da Direção Nacional de Migrações (DNM) da Argentina que o próprio jornalista enviou e em um áudio que ele mandou a contatos.
Ex-assessor na Câmara, hoje autor de um livro sobre Milei
Tomaz já trabalhou como assessor parlamentar na Câmara dos Deputados. Hoje acompanha a política argentina e produz conteúdo sobre cortes de gastos, privatizações e inflação no governo do presidente Javier Milei. Está escrevendo um livro sobre a gestão do argentino, previsto para fevereiro de 2027.
A viagem desta segunda tinha, segundo ele, o objetivo de registrar imagens sobre a situação econômica do país vizinho. Ele fez o trajeto de volta por São Paulo: desembarcou em Guarulhos e pegou outro voo para a capital federal.
A justificativa da migração e a versão do jornalista
O documento da DNM cita um decreto de 2025 que autoriza cancelar a residência quando as condições da concessão não são cumpridas. Segundo o relato de Tomaz, a alegação é que ele não permaneceu na Argentina por tempo suficiente e que não vivia regularmente no país desde 2022.
Ele rebate. Diz que seguiu viajando ao país e que, somente em 2026, ficou 36 dias lá. Afirma ainda que sua residência valia até 2037 e que o cancelamento foi feito em 5 de agosto, uma semana depois de ele deixar o território argentino. Tomaz diz que pode recorrer, mas acha improvável recuperar o documento.
"Se trata realmente de uma questão política", afirmou no áudio. Ele aponta como contexto discussões nas redes sociais, entre julho e agosto, com apoiadores do governo Milei e com Juan Pablo Carreira, o "Juan Doe", diretor de Comunicação Digital da Presidência argentina.
O que está e o que não está provado
Os papéis apresentados pelo jornalista falam de descumprimento das condições da residência. Não citam críticas ao governo. Por isso, a suspeita de motivação política é uma avaliação dele, e as informações disponíveis não a comprovam. A Agência Brasil não registra resposta do governo argentino.
Há ainda um segundo decreto de Milei, deste ano, que permite barrar e expulsar estrangeiros que tenham "dirigido mensagens de ódio ou incitado a violência contra o povo argentino ou seus cidadãos". Ele não aparece como fundamento da decisão contra Tomaz.
Tomaz também elogiou o atendimento das funcionárias da migração, disse que foi tratado com cordialidade e que não cometeu crime algum.
Entidades de jornalistas reagem
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) publicaram nota em que repudiam a deportação e se solidarizam com ele. As duas entidades não detalharam, na nota citada pela Agência Brasil, medidas judiciais ou diplomáticas.
O DistritoNews segue acompanhando o caso e atualiza a matéria se a DNM, a embaixada argentina em Brasília ou o Itamaraty se manifestarem.