Arruda diz em sabatina que quer ser julgado nas urnas
Candidato do PSD ao GDF mantém a campanha com registro indeferido pelo TRE-DF e critica a gestão de Celina Leão
O candidato ao governo do Distrito Federal José Roberto Arruda (PSD) afirmou nesta quarta-feira (16), em sabatina promovida pela CBN, pelo jornal O Globo e pelo jornal Valor, que pretende manter a candidatura até o fim, apesar de ter o registro indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral do DF.
"Eu só quero ter o direito de ser julgado nas urnas. Eu vou até o fim. Brasília vive o pior momento de sua história, não vai ser fácil resgatar essa cidade. Eu não desisto de Brasília", disse o candidato, segundo o relato da sabatina publicado pelo Correio Braziliense.
Arruda foi governador do DF entre 2007 e 2010 e deixou o cargo após a Operação Caixa de Pandora. Na sabatina, ele voltou a apresentar sua versão sobre as condenações por improbidade administrativa e disse que já cumpriu a pena imposta pela Justiça.
"Quando veio a denúncia, foi um desastre. Eu demorei 16 anos para explicar que eu recebi o dinheiro dois anos antes de eu ser governador, dinheiro este declarado no TRE. Eu fui condenado pelas minhas virtudes", afirmou.
A situação do registro
O TRE-DF indeferiu o registro da candidatura de Arruda em 3 de setembro, em decisão que discutiu a contagem do prazo de inelegibilidade previsto na Lei da Ficha Limpa. A decisão não encerra o caso: enquanto houver recurso pendente, o candidato pode fazer campanha e ter os votos contabilizados sob condição.
Questionado sobre a hipótese de trocar o nome na chapa do PSD, ele disse ter recebido sugestões nesse sentido e as ter recusado após consultar apoiadores e advogados. "Eu não sou de correr da briga. Se eu tivesse saído, teria sido um ato de traição com as pessoas que me apoiam. Os advogados me garantem que registrei a minha candidatura de acordo com a lei vigente. Eu vou até o fim. No dia 4 de outubro, a minha careca vai estar na urna", declarou.
Corre em paralelo no Supremo Tribunal Federal a ADI 7881, que trata da aplicação da Lei da Ficha Limpa e cujo resultado pode alcançar o caso. O ministro Flávio Dino levou o julgamento para o plenário físico em 11 de setembro.
As críticas ao governo Celina Leão
Na sabatina, Arruda elogiou o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) e criticou a gestão atual. "O primeiro governo dele (Ibaneis) foi bom, inclusive eu o apoiei na reeleição. Depois do 8 de janeiro, que ele foi afastado e teve aquela confusão, ele entregou o governo para Celina, e a partir daí o governo degringolou", disse.
O candidato também cobrou a governadora Celina Leão (PP) pela relação com o governo federal e citou a ausência dela na cerimônia do 7 de Setembro. "Uma coisa é você ter pensamentos políticos diferentes. O governador da capital do país tem que ter a sua função institucional", afirmou.
Sobre o Banco de Brasília, acusou a gestão do GDF de adiar decisões e defendeu aporte de recursos. "Eu não tenho o nome dos assaltantes, o que eu sei é que o banco foi assaltado. Um banco público, na capital do país, que prestava um serviço excelente a Brasília, quebrou", declarou. Para recuperar a instituição, propôs fechar agências, cancelar patrocínios, regionalizar o banco e negociar com o governo federal a aplicação de recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste no BRB.
A campanha de Celina Leão não divulgou manifestação sobre as críticas até a publicação desta reportagem. O BRB também não divulgou nota sobre as declarações.
As propostas apresentadas
Arruda listou iniciativas do próprio governo, como a Secretaria Especial de Educação Integral, o programa Ciência em Foco e a Bolsa Universitária. "Eu não estou prometendo, eu já fiz", afirmou. Também propôs um 14º salário para servidores de escolas que elevarem o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica de um ano para o outro.
Na administração pública, prometeu reduzir de 37 para 18 o número de secretarias e de 27 mil para 12 mil os cargos comissionados, no que chamou de choque de gestão, com meta de economia de R$ 5 bilhões no primeiro ano. Defendeu ainda ampliar o teletrabalho no serviço público.
No transporte, descartou a tarifa zero. "Não vou prometer tarifa zero, é um erro", disse. A proposta apresentada foi remunerar as empresas de ônibus pelo número de passageiros transportados e auditar os contratos vigentes.
O primeiro turno das eleições será em 4 de outubro. Leia também sobre a decisão do TRE-DF que indeferiu o registro de Arruda e sobre o julgamento da Ficha Limpa levado ao plenário do STF.