Nunes Marques defende urnas e alerta para uso de IA na eleição
Presidente do TSE apresentou os sistemas de auditoria da votação a embaixadores estrangeiros na sede do tribunal, em Brasília
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, defendeu a confiabilidade da urna eletrônica e alertou para o uso de inteligência artificial na campanha em encontro com embaixadores estrangeiros na sede do tribunal, em Brasília, nesta segunda-feira (17).
Diante de representantes de dezenas de países, do coordenador residente da Organização das Nações Unidas (ONU) no Brasil e do encarregado de negócios da União Europeia, o ministro apresentou os sistemas que a Justiça Eleitoral usa para auditar a votação e afirmou que qualquer alteração no código das urnas seria detectada pelos mecanismos de segurança adotados pelo tribunal.
"O Brasil tornou-se ao longo das últimas décadas uma referência mundial na realização de eleições", disse Nunes Marques, segundo o Correio Braziliense.
O encontro ocorre a menos de dois meses do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Para o presidente do TSE, a consolidação do modelo eleitoral brasileiro é resultado de décadas de aperfeiçoamento das regras, e não de uma tecnologia isolada.
O alerta sobre vídeos e áudios manipulados
A parte mais dura da fala do ministro foi sobre inteligência artificial. Ele citou a produção de vídeos e áudios manipulados para enganar o eleitor, distorcer o debate público ou interferir na formação da vontade política.
"Agigantam-se as possibilidades de mau uso da inteligência artificial nas disputas eleitorais", afirmou o ministro, conforme a Gazeta do Povo.
A Justiça Eleitoral já proíbe o uso de deepfakes na propaganda, mesmo com autorização da pessoa retratada, e obriga a rotulagem de conteúdo produzido ou manipulado por inteligência artificial. O tribunal também instalou, no início de agosto, um conselho consultivo para orientar a presidência da corte sobre uso indevido de IA e disseminação de conteúdo falso durante a campanha.
Segundo o TSE, estão em elaboração planos de contingência para o período eleitoral, com resposta a casos de manipulação em larga escala nos dois turnos.
Na apresentação aos diplomatas, o tribunal detalhou os procedimentos de fiscalização que abre ao público e aos partidos antes da votação, entre eles o teste público de segurança, em que especialistas convidados tentam violar o sistema, e a votação paralela, feita no dia da eleição com urnas sorteadas e votos conhecidos, para conferir se o resultado registrado bate com o que foi digitado.
Por que isso importa para quem mora em Brasília
O TSE fica no Setor de Administração Federal Sul, e é de Brasília que saem as decisões que valem para as urnas de todo o país, incluindo as seções do Distrito Federal. Em 2026, o eleitor do DF escolhe presidente, governador, um senador, deputados federais e deputados distritais na mesma votação.
O tema da desinformação também já chegou ao tribunal por outra via: partidos e coligações têm acionado a corte para pedir a remoção de conteúdo manipulado envolvendo pré-candidatos, procedimento que corre em regime de urgência no período eleitoral.
- Primeiro turno: 4 de outubro de 2026
- Segundo turno, onde houver: 25 de outubro de 2026
- Conteúdo com IA na propaganda: rotulagem obrigatória; deepfake é proibido
- Conselho consultivo do TSE sobre integridade informacional: instalado em agosto
Quem quiser conferir o funcionamento da urna pode acompanhar os testes públicos de segurança e as auditorias divulgadas pelo próprio TSE, além do acompanhamento feito por partidos, Ministério Público e entidades fiscalizadoras no dia da votação.
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