PF indicia Vorcaro e ex-presidente do BRB; prejuízo apurado chega a R$ 2,7 bi
PF indicia Vorcaro, Paulo Henrique Costa e outros 13 por fraudes no BRB; prejuízo apurado é de R$ 2,7 bi e a defesa de Vorcaro nega perdas.
A Polícia Federal (PF) indiciou nesta quarta-feira, 28, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e mais 14 investigados pelas fraudes no Banco de Brasília (BRB), banco público do Distrito Federal. Entre os indiciados estão o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. O relatório fecha a primeira fase da Operação Compliance Zero, segundo a Agência Brasil.
Todos respondem por gestão fraudulenta de instituição financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Indiciamento é a conclusão da polícia sobre quem cometeu o crime, e não uma condenação: cabe à PGR decidir se denuncia e, depois, à Justiça decidir se aceita a denúncia.
O que a PF diz sobre o prejuízo do BRB
A PF calcula em cerca de R$ 2,7 bilhões o prejuízo já apurado. Parte vem de carteiras de crédito inexistentes em nome da Tirreno, empresa que a polícia descreve como de fachada, operada pelo Master, e que fez transações com o BRB. Em trecho citado pela agência, a PF escreve que são perdas "já formalizadas e reconhecidas", e que "não se trata de estimativa abstrata ou de risco meramente eventual".
Sobre Vorcaro, o relatório diz que ele teve "participação pessoal, reiterada e diretiva" nas operações com carteiras irregulares e era o "principal beneficiário econômico" delas. Ele foi preso em março e está na Papudinha, no Distrito Federal.
O que vem agora no STF e na PGR
A investigação continua aberta: o relatório entregue conclui só a primeira parte da Compliance Zero. Os investigadores mandaram o relatório de indiciamentos à Procuradoria-Geral da República (PGR) e pediram ao Supremo Tribunal Federal (STF) mais 60 dias de investigação. O prazo servirá para concluir perícias pendentes e entregar um relatório complementar.
A defesa de Vorcaro negou, em nota, que as operações do BRB com a Tirreno tenham causado prejuízo. Os advogados dizem que, um ano depois do início da apuração, a PF "se limita a repetir a mesma narrativa", que a negociação das carteiras não foi concluída e que elas foram substituídas por outros ativos. Segundo a defesa, "nenhuma perícia oficial apurou qualquer prejuízo". A Agência Brasil não traz posição de Paulo Henrique Costa, de Augusto Lima nem do BRB sobre o relatório.
O caso já rendeu outras reportagens no DistritoNews: a remarcação do depoimento de Vorcaro à PF para 24 de setembro e a negativa da governadora Celina Leão de participação em decisões sobre o BRB.