Segurança

Vorcaro diz à PF que Ibaneis pediu R$ 400 milhões para o BRB comprar o Master; defesa nega

Relato consta de proposta de delação que não foi aceita; mensagens do celular do banqueiro mostram Ibaneis acompanhando a negociação

Neste texto3 tópicos
  1. O que Vorcaro diz
  2. O que está nas mensagens extraídas pela PF
  3. A resposta da defesa

O banqueiro Daniel Vorcaro afirmou à Polícia Federal que o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) cobrou R$ 400 milhões em propina para autorizar a compra do Banco Master pelo BRB. A declaração consta de uma oitiva feita durante a negociação de um acordo de delação premiada, revelada na quarta-feira, 21, pelo portal UOL e confirmada pelo Correio Braziliense com fontes da corporação. A proposta de delação não foi aceita, e a defesa de Ibaneis nega tudo.

Até a publicação desta reportagem, a PF e o Supremo Tribunal Federal (STF) não haviam divulgado nota sobre o assunto. Não há denúncia contra Ibaneis nesse caso.

O que Vorcaro diz

Segundo o relato atribuído ao banqueiro, o pagamento seria feito depois da compra: metade em dinheiro vivo e metade por um contrato fictício com um escritório de advocacia indicado pelo então governador. Vorcaro também afirma que Ibaneis ficaria com 5% do novo banco, por meio de uma empresa de fachada. O acerto teria sido fechado em setembro de 2024, em conversa com o empresário Leonardo Valverde, apontado como aliado próximo de Ibaneis.

O banqueiro diz ter adiantado cerca de R$ 80 milhões em espécie, entregues em Brasília por seu motorista a Valverde. O contrato com o escritório, segundo ele, nunca foi pago porque o Banco Central vetou a operação em setembro de 2025.

Segundo o Correio, fontes da PF afirmam que a delação não avançou porque Vorcaro não apresentou provas suficientes do que declarou.

O que está nas mensagens extraídas pela PF

O UOL teve acesso a mensagens retiradas do celular de Vorcaro após a apreensão na Operação Compliance Zero. De acordo com a reportagem, elas mostram Ibaneis acompanhando as etapas da tentativa de compra, do aumento de capital do BRB à venda de carteiras de crédito.

Entre os pontos citados pelo UOL e reproduzidos pelo jornal O Tempo:

  • o primeiro encontro entre Ibaneis e Vorcaro foi em 18 de setembro de 2024, num almoço na casa do banqueiro em Brasília, e uma semana depois houve um jantar com o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa;
  • em janeiro de 2025, os dois se reuniram em Zurique, na Suíça, durante um evento do grupo Lide;
  • o BRB anunciou a compra de 58% do Master em 28 de março de 2025, e Ibaneis telefonou a Vorcaro no dia do anúncio;
  • em agosto de 2025, na semana em que a Câmara Legislativa votou a favor da operação, Ibaneis ligou três vezes ao banqueiro;
  • em ao menos dez ocasiões, entre novembro de 2024 e agosto de 2025, o motorista de Vorcaro entregou encomendas a um "Léo" ou "Dr. Léo", que a PF suspeita ser Valverde.

O Tempo informa ainda que relatórios enviados pela PF ao STF indicam "atuação direta" de Ibaneis na estratégia financeira do BRB que levou à tentativa de compra. O banco público injetou R$ 16,7 bilhões no Master por meio de carteiras de crédito, segundo o jornal.

A resposta da defesa

Procurado pelo Correio, o advogado Antônio de Almeida Castro, o Kakay, que defende Ibaneis, disse que o acordo de delação nem chegou a ser homologado. "Não tinha nenhum elemento de colaboração, não tinha nenhuma prova. É uma proposta que nem foi aceita. Eu nem li, pois não leio proposta que não foi aceita", afirmou.

A investigação sobre o BRB e o Master já rendeu outras notícias no DistritoNews, como a prisão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e a negativa da governadora Celina Leão sobre decisões do banco. O próximo passo está nas mãos dos investigadores: a PF e o STF dirão se algum trecho do relato de Vorcaro se sustenta em documento.