Política

TSE tira Arruda da disputa ao GDF, mas mais de mil urnas do DF já foram lacradas

Por 5 a 2, o TSE manteve o indeferimento do registro de Arruda. Entenda o que acontece com o voto dado a ele em 4 de outubro.

Neste texto3 tópicos
  1. Por que o TSE barrou a candidatura
  2. O que acontece com o voto dado a Arruda
  3. Quem segue na disputa pelo Buriti

O plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou nesta quinta-feira (24), por 5 votos a 2, o recurso de José Roberto Arruda (PSD) e manteve o indeferimento do registro da candidatura dele ao governo do Distrito Federal. Pela decisão, o nome do ex-governador deve sair das urnas com urgência.

A ordem esbarra no calendário. O lacre das urnas eletrônicas começou na terça-feira (23) e mais de mil equipamentos já passaram pelo procedimento, que impede alterar os dados carregados. Os votos digitados no número dele serão nulos de qualquer forma, mas o eleitor que abrir a tela de votação no dia 4 de outubro ainda pode encontrar o nome e a foto do candidato barrado.

Por que o TSE barrou a candidatura

Prevaleceu o voto do relator, ministro Dias Toffoli, acompanhado por Ricardo Villas Bôas Cueva, Sebastião Reis Júnior, André Mendonça e Kássio Nunes Marques. Ficaram vencidos Floriano de Azevedo Marques e Estela Aranha.

A maioria entendeu que Arruda está inelegível por causa de condenações colegiadas por improbidade administrativa proferidas há menos de oito anos, o que atrai a Lei da Ficha Limpa. As condenações vêm da Operação Caixa de Pandora, que apurou um esquema de corrupção em contratos de informática do DF em 2009, quando ele era governador.

Tabela com o voto de cada um dos sete ministros do TSE no recurso de Arruda
Cinco ministros acompanharam o relator; dois votaram a favor do recursoArte: DistritoNews

A defesa sustentou que as mudanças feitas no ano passado pelo Congresso na Lei da Ficha Limpa garantiam a ele o direito de disputar. O argumento central era o de que as sete condenações são conexas, ligadas aos mesmos fatos e provas, e que por isso só a primeira delas poderia iniciar a contagem do prazo de inelegibilidade.

Em sustentação oral, o advogado José Eduardo Cardozo defendeu que havia dúvida razoável sobre a aplicação da lei ao caso. "É aquela velha máxima: na dúvida, que prevaleça a democracia", afirmou. O vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa, respondeu que a defesa partia de "interpretações equivocadas" e lembrou que o candidato "acumula sete condenações colegiadas por atos dolosos de improbidade administrativa, todas com reconhecimento de lesão ao erário e enriquecimento ilícito".

Toffoli resumiu assim o voto: "Basta verificar se, independentemente da interpretação adotada, remanesce a condenação colegiada apta a atrair a causa de inelegibilidade prevista. E a resposta, a meu sentido, é positiva".

O que acontece com o voto dado a Arruda

A regra está no artigo 175, parágrafo 3º, do Código Eleitoral. Voto dado a candidato com registro indeferido antes da eleição é nulo para todos os efeitos, inclusive para a legenda, segundo a jurisprudência consolidada do próprio TSE. Não importa se a decisão ainda pode ser objeto de novo recurso.

Na prática, quem teclar o número dele no dia 4 de outubro terá o voto computado como nulo, sem efeito para o partido nem para qualquer outro candidato ao Buriti. Não há aproveitamento do voto para o vice, Luiz Pitiman, nem redistribuição para a coligação.

O eleitor que quiser confirmar em quem está votando pode consultar a situação do registro pelo aplicativo e-Título ou pelo portal do TSE antes de ir à seção. A lista de candidatos aptos é atualizada pela Justiça Eleitoral à medida que os julgamentos terminam.

Quem segue na disputa pelo Buriti

A eleição no DF ocorre em 4 de outubro, com votação para governador, senador, deputado distrital, deputado federal e presidente. Arruda era um dos nomes mais citados nas pesquisas e chegou ao julgamento sob decisão unânime do Tribunal Regional Eleitoral do DF (TRE-DF), que já havia rejeitado o registro em setembro. A conta de datas que levou o tribunal local a barrá-lo está detalhada em 2014 ou 2018: a conta de datas que tirou Arruda da disputa no TRE-DF.

O PSD ainda pode recorrer ao Supremo Tribunal Federal, mas um recurso extraordinário não tem, por si só, efeito suspensivo. Enquanto isso, a preparação da votação segue: as urnas do DF passam por teste de integridade na Câmara Legislativa no dia da eleição, procedimento em que equipamentos sorteados votam sob fiscalização pública.

O que acompanhar nos próximos dias: a publicação do acórdão do TSE, eventual comunicado da Justiça Eleitoral sobre a retirada do nome das urnas já lacradas e a atualização da lista oficial de candidatos aptos do DF.

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