Ucrânia lança 620 drones contra a região de Moscou, diz prefeito
Defesa antiaérea russa abateu 180 aparelhos e três pessoas ficaram feridas, segundo autoridades locais; depósito da Wildberries foi atingido
A Ucrânia lançou 620 drones contra a região de Moscou na madrugada de terça-feira (18), afirmou o prefeito da capital russa, Sergei Sobianin. Segundo ele, as defesas antiaéreas abateram 180 aparelhos sobre a área metropolitana. Pelo menos três pessoas ficaram feridas, entre elas uma menina de 10 anos.
Os números são de autoridades russas e foram divulgados pela agência Reuters e reproduzidos pela Agência Brasil na manhã de terça-feira. Não houve confirmação independente do total de aparelhos lançados nem manifestação do governo ucraniano sobre a ofensiva até a publicação desta reportagem.
Sobianin usou seu canal no Telegram para informar os desligamentos preventivos e a movimentação da defesa antiaérea ao longo da madrugada. O governador da região de Moscou, Andrei Vorobyov, tratou dos danos em municípios do entorno da capital.
O que foi atingido
Entre os alvos citados pelas autoridades locais está um depósito da Wildberries, maior varejista on-line da Rússia, em instalação próxima a Moscou. A companhia opera centros de distribuição no cinturão logístico da capital, e o galpão atingido concentra parte do estoque destinado à área metropolitana.
Na Crimeia, a fornecedora de energia Krymenergo registrou cortes no abastecimento em distritos do sul da península. A empresa não detalhou quantos consumidores ficaram sem luz nem por quanto tempo.
A ofensiva de terça-feira é uma das maiores registradas contra a região da capital russa desde o início da guerra, sempre pelos números que o próprio governo russo divulga. Moscou fica a cerca de 500 quilômetros da fronteira com a Ucrânia, distância que exige drones de longo alcance e que transformou os ataques à capital em indicador do estágio tecnológico do conflito.
Por que o alvo mudou
Desde 2024, a Ucrânia passou a concentrar ataques em refinarias, depósitos de combustível e centros logísticos em território russo, com a lógica de encarecer a operação militar longe da linha de frente. A Rússia, por sua vez, mantém bombardeios sobre cidades ucranianas, com alvos residenciais atingidos com frequência.
O impacto imediato dos ataques com drones sobre Moscou costuma ser menos material do que operacional: aeroportos suspendem pousos e decolagens, o tráfego aéreo é redirecionado e a defesa antiaérea passa a operar em alerta por horas. Os anúncios de fechamento de espaço aéreo têm sido divulgados pela agência federal de transporte aéreo russa a cada rodada de ataques.
Para o leitor brasileiro, a escalada tem efeito indireto na cotação de fertilizantes e de petróleo, dois itens em que a Rússia pesa na oferta mundial. O Brasil importa da Rússia parte relevante dos fertilizantes usados na safra de grãos.
As negociações de paz seguem paradas. Em julho, a cúpula do G7 em Evian encerrou os trabalhos com apoio reforçado à Ucrânia e sem prazo para um cessar-fogo, como mostrou o DistritoNews.
Os dados de aparelhos lançados e abatidos citados nesta reportagem partem exclusivamente de autoridades russas e não foram checados por fonte independente. Nos ataques anteriores em profundidade no território russo, o governo da Ucrânia não confirmou nem negou a autoria, prática que mantém desde o início do conflito. A Rússia também não divulga o total de aparelhos que ultrapassam a defesa antiaérea, apenas o de interceptações.