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França e Reino Unido ampliam apoio militar à Ucrânia após ataques russos

Macron acelera entrega de interceptadores e Burnham libera produção do Storm Shadow em território ucraniano

França e Reino Unido anunciaram nesta segunda-feira (24) o reforço do apoio militar à Ucrânia depois da série de ataques russos que atingiu três cidades ucranianas no fim de semana e deixou ao menos 23 mortos. O presidente francês, Emmanuel Macron, prometeu acelerar a entrega de mísseis interceptadores para a defesa aérea, enquanto o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, autorizou a produção do míssil Storm Shadow em território ucraniano por meio de transferência de tecnologia.

Os bombardeios ocorreram em 21 e 22 de agosto e atingiram Kryvyi Rih, a região de Boryspil, nos arredores de Kiev, e Zaporíjia. Além dos mortos, cerca de 100 pessoas ficaram feridas, entre elas crianças, segundo o balanço divulgado por autoridades ucranianas e reproduzido pelo Poder360.

O que cada país ofereceu

O anúncio francês trata de interceptadores, munição usada para derrubar drones e mísseis antes que atinjam alvos em solo. O presidente Volodymyr Zelensky havia pedido 300 unidades para atravessar o inverno, período em que a Rússia costuma concentrar ataques contra a rede elétrica ucraniana. A quantidade que a França vai entregar não foi divulgada.

A decisão britânica tem natureza diferente. Em vez de enviar o armamento pronto, Londres vai repassar tecnologia para que a Ucrânia fabrique o Storm Shadow, míssil de cruzeiro de longo alcance lançado por aeronaves. O modelo já foi usado pelas forças ucranianas em ataques a alvos russos em território ocupado.

  • França: aceleração na entrega de mísseis interceptadores para defesa aérea, sem número informado;
  • Reino Unido: transferência de tecnologia confidencial para produção local do Storm Shadow;
  • Pedido ucraniano: 300 interceptadores para o período de inverno;
  • Ataques russos: 21 e 22 de agosto, em Kryvyi Rih, Boryspil e Zaporíjia.

O Kremlin reagiu ao anúncio britânico e afirmou que o compartilhamento de tecnologia aumentará as tensões entre os dois países. Moscou tem tratado a entrega de armamento de longo alcance a Kiev como escalada direta dos países europeus no conflito.

Posição ucraniana

Zelensky reiterou que o país busca um acordo de paz, mas estabeleceu limites para qualquer negociação.

"a Ucrânia busca a paz, mas não aceitará uma rendição nem a entrega de mais territórios"

A frase resume o impasse que trava as tratativas: a Rússia mantém a exigência de reconhecimento sobre áreas ocupadas, condição rejeitada por Kiev e pelos governos europeus que sustentam o esforço militar ucraniano.

Burnham assumiu o cargo em julho, depois de deixar a prefeitura de Manchester, e tomou posse como primeiro-ministro do Reino Unido em meio à discussão sobre o tamanho do compromisso britânico com a Ucrânia. A liberação da produção do Storm Shadow é a primeira decisão de peso do novo governo na área.

A produção local de armamento tem sido uma das apostas de Kiev para reduzir a dependência de remessas externas, que ficam sujeitas a decisões políticas de cada parceiro e a prazos de fabricação nas indústrias europeias. Fabricar em território próprio, por outro lado, expõe as linhas de montagem a bombardeios, risco que já levou o país a distribuir a produção em unidades menores e dispersas.

Brasília acompanha o conflito pelo canal diplomático. O governo brasileiro tem defendido negociação direta entre as partes e evitado adesão às sanções econômicas aplicadas pelos países europeus contra a Rússia.

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