Sarampo avança na fronteira e DF tem cobertura vacinal abaixo da meta
Amazonas confirmou três casos em Tabatinga; no DF, nenhuma vacina infantil alcançou os 95% no primeiro quadrimestre
O Amazonas confirmou três casos de sarampo em Tabatinga, na fronteira com o Peru e a Colômbia, segundo a Fundação de Vigilância em Saúde do estado (FVS-RCP). A confirmação foi divulgada na quinta-feira (10) e reacende o alerta nacional sobre cobertura vacinal, um indicador em que o Distrito Federal está abaixo da meta em todas as principais vacinas infantis.
Os casos envolvem duas crianças, de 8 anos e de 1 ano, e uma mulher de 24 anos, todos de nacionalidade peruana. As notificações foram feitas em setembro e a confirmação veio de exames do Laboratório Central de Saúde Pública do Amazonas (Lacen-AM). Tabatinga fica a 1.108 quilômetros de Manaus. Outros dois casos suspeitos seguem em investigação, um no próprio município e outro em Carauari.
Por que isso interessa a quem mora no DF
O sarampo é transmitido pelo ar e tem um dos maiores índices de contágio entre as doenças infecciosas. Uma pessoa infectada transmite o vírus dias antes de aparecerem as manchas na pele, quando ainda circula normalmente por escolas, transporte público e trabalho. Por isso a barreira contra a reintrodução do vírus não é a distância geográfica do caso confirmado, e sim o percentual de gente vacinada em cada cidade.
No primeiro quadrimestre de 2026, nenhuma das principais vacinas do calendário infantil alcançou no DF a meta de 95% definida pelo Ministério da Saúde. Os dados são da Secretaria de Saúde do DF:
- Tríplice viral, 2ª dose (crianças de 1 ano): 79,73%
- Meningocócica C (menores de 1 ano): 91,93%
- Poliomielite (menores de 1 ano): 86,97%
- Pentavalente (menores de 1 ano): 86,74%
- DTP, 1º reforço (crianças de 1 ano): 76,18%
- Varicela, 2ª dose (crianças de 4 anos): 77,38%
A tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, é a vacina diretamente ligada ao risco. A segunda dose, prevista aos 15 meses, ficou pouco mais de 15 pontos percentuais abaixo do patamar considerado seguro para impedir a circulação do vírus.
"Muita gente não viu crianças afetadas pela paralisia infantil e acha que essas doenças não existem mais", disse Teresa Luiza Pereira, gerente da Rede Frios do DF, ao Correio Braziliense.
Onde a fronteira está mais protegida que a capital
Os municípios amazonenses que registraram os casos aparecem com cobertura acima de 100% na primeira dose da tríplice viral em 2026, segundo a FVS-RCP: 109% em Atalaia do Norte, 104% em Benjamin Constant e 101% em Tabatinga. Percentuais acima de 100% ocorrem quando o número de doses aplicadas supera a estimativa populacional usada como denominador, o que é comum em cidades de fronteira que vacinam também moradores de países vizinhos.
Como se vacinar no DF
A tríplice viral está disponível nas unidades básicas de saúde do DF durante todo o ano, sem necessidade de campanha. O esquema infantil é de duas doses, aos 12 e aos 15 meses. Adultos sem registro de vacinação na caderneta devem procurar uma unidade básica para avaliação do esquema, que varia conforme a faixa etária. Quem vai viajar para áreas com circulação do vírus deve checar a caderneta com antecedência, porque a proteção não é imediata após a aplicação.
O DF já havia reforçado a vigilância depois do surto em São Paulo, que soma dezenas de casos confirmados neste ano. Em agosto, a Organização Pan-Americana da Saúde alertou para o avanço da doença nas Américas e recomendou reforço da imunização no Brasil.