Comissão aprova equiparar doença renal crônica e fissura a deficiência
PL 11217/18 assegura cotas em concursos, benefícios e atendimento prioritário, mas ainda passa por duas comissões
A Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara dos Deputados aprovou nesta segunda-feira, 17 de agosto, o projeto que equipara pessoas com malformações craniofaciais, como a fissura labiopalatina, e pacientes com doença renal crônica à condição de pessoa com deficiência.
O texto é o PL 11217/18, do deputado Domingos Neto (PSD-CE). O relator na comissão foi o deputado Márcio Honaiser (Solidariedade-MA), que recomendou a aprovação.
A equiparação abre acesso a um conjunto de direitos hoje reservados a quem tem deficiência reconhecida: reserva de vagas em concursos públicos, benefícios assistenciais e atendimento prioritário.
O que o texto exige
O reconhecimento não é automático. O projeto condiciona a equiparação a uma avaliação biopsicossocial feita por equipe multidisciplinar, o mesmo instrumento previsto no Estatuto da Pessoa com Deficiência para caracterizar a condição.
Para pacientes renais crônicos, o texto estabelece um marco de término: a condição de pessoa com deficiência cessa quando há reabilitação total ou transplante bem-sucedido.
Na justificativa do parecer, o relator escreveu:
O reconhecimento desses pacientes como pessoas com deficiência introduz um ato de justiça social.
Em que etapa o projeto está
Nada do que está no texto vale hoje. O projeto ainda precisa passar pela Comissão de Finanças e Tributação, que avalia o impacto orçamentário, e pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Só depois disso, e se não houver recurso para votação em Plenário, o texto segue ao Senado.
Quem tem fissura labiopalatina ou doença renal crônica e quiser pleitear direitos de pessoa com deficiência continua sujeito às regras atuais, que exigem laudo e enquadramento na legislação em vigor. Nenhum benefício novo pode ser requerido com base neste projeto enquanto ele não for aprovado nas demais comissões, votado pelo Senado e sancionado.
Por que isso interessa a quem mora no DF
O Distrito Federal concentra serviços de referência em nefrologia e em cirurgia craniofacial que atendem também pacientes do Entorno e de estados vizinhos, encaminhados pela regulação do SUS. A rede pública local mantém programas de hemodiálise e de acompanhamento de pacientes renais crônicos, e o volume de atendimentos torna a mudança de enquadramento relevante para um número expressivo de famílias da região.
A fissura labiopalatina é uma das malformações congênitas mais frequentes e exige acompanhamento longo, que combina cirurgia, fonoaudiologia, odontologia e apoio psicológico ao longo de anos.
A doença renal crônica, por sua vez, tem impacto direto na rotina de trabalho: o paciente em hemodiálise costuma passar por três sessões semanais de várias horas, o que limita jornada e deslocamento. É esse o argumento central de quem defende a equiparação.
- Projeto: PL 11217/18
- Autor: deputado Domingos Neto (PSD-CE)
- Relator na comissão: deputado Márcio Honaiser (Solidariedade-MA)
- Colegiado: Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência
- Aprovação: 17 de agosto de 2026
- Próximas etapas: Comissão de Finanças e Tributação e CCJC
A tramitação completa, com o inteiro teor do parecer, pode ser acompanhada na ficha do projeto no portal da Câmara dos Deputados.
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